Seu RH é operacional? Mude sua estratégia e seja relevante!

Tempo de leitura: 7 minutos

A era industrial parece definitivamente ter chegado ao fim. Os serviços e agora uma segunda geração deles, mais dinâmica e rápida, está tomando conta da economia. O operacional é hoje algo em declínio, com máquinas e rotinas automatizadas tomando o espaço e destruindo empregos para criar novos postos mais evoluídos e menos penosos.

Mas poucos enxergam algo mais visceral nessa tendência: não é apenas algo entre indústria e serviços. Cada empresa, dentro de seus próprios quadros, começa a ver a necessidade de reduzir cada vez mais uma massa de colaboradores de cunho operacional, desenvolvendo uma equipe que atue mais em termos de estratégia e produção de conhecimento.

Atendimento em lugar de processamento. Inovação em lugar de padronização. Dinâmica em lugar do cumprimento de horários.

Profissionais vêm se preparando, nos últimos 10 anos, para crescer em uma mercado completamente diferente, no qual a força de trabalho será cada vez menos valorizada e o poder intelectual ganhará mais espaço do que nunca.

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

Bem, você atua em RH. Não deveríamos estar dizendo isso a você. Contudo, analise agora sua equipe e pense rapidamente: quantas pessoas ainda perdem tempo nela em tarefas meramente operacionais?

Recursos humanos não necessariamente exigem toneladas de recursos humanos. Redundante? Contudo, a verdade é que muitas das tarefas que já poderiam estar sendo automatizadas (e para as quais você já conta com recursos) seguem preenchendo as horas de trabalho de seus colaboradores. Isso significa, necessariamente, que você está pagando dobrado pela coisa toda: dispõe de máquinas e processos automatizados para realizar determinadas tarefas, ou seja, paga por eles, e ao mesmo tempo desperdiça horas pagas em termos salariais de seus funcionários, para dar conta dessas mesmas incumbências.

O RH, mais do que qualquer outro departamento dentro de uma empresa, precisa reduzir o cunho operacional desenvolvido por muitos de seus colaboradores e se tornar um departamento mais estratégico e também criativo, sob o risco dele mesmo se tornar irrelevante.

Onde é possível reduzir o operacional? Bem, embora as empresas contem, em geral, com uma disponibilidade diferente de recursos, a verdade é que muitos processos podem ser automatizados ou parcialmente automatizados, independentemente do nível de avanço dos sistemas que operam em RH:

  • Perfis essenciais e dados de funcionários;
  • Folhas de pagamento e benefícios;
  • Triagem em recrutamento e seleção;
  • Normas de compliance e legais;
  • Emissão de relatórios;
  • Controle de horários e jornadas.

Tudo isso faz parte do que chamaríamos de uma primeira geração de serviços em recursos humanos. Atualmente, programas relacionados ao treinamento e desenvolvimento têm ganho maior destaque nas empresas, assim como planos estratégicos e a criação de métricas e processos de análise. Contudo, para dispor de mais tempo para eles, é preciso automatizar uma primeira leva de tarefas – e começar com os tópicos acima é uma boa forma de produzir mais resultados e criar uma pegada mais relevante para seu departamento.

Mas a coisa não termina por aí. Com a criação de boas métricas para emitir relatórios melhores e mais rápidos, terminamos criando oportunidades de também automatizar tarefas hoje sumamente realizadas por pessoas. O ciclo avança e a tendência geral é que novas automatizações se criem naturalmente – o operacional precisa ser reduzido ao mínimo, e com o tempo, ele acaba diminuindo de tamanho de forma quase natural.

Por que o operacional não é visto com destaque?

Sempre que as tarefas operacionais deixam de ser feitas, muitos dentro de uma empresa percebem imediatamente uma falha no RH, o óbvio não foi realizado. Entretanto, mesmo que todos contem com tais tarefas efetuadas, o valor percebido dessas rotinas é mínimo. Seu RH é irrelevante, a menos que fuja do óbvio e produza resultados que possam ir além de alguns carimbos ou dúzias de holerites impressos.

O operacional não é visto com destaque e não possui valor dentro da organização por uma razão muito simples: ele é uma commodity. Algo que pode ser terceirizado e ninguém daria pela falta. Algo que pode ser conduzido por funcionários minimamente treinados e não vale o esforço nem o custo de alocar um funcionário com múltiplas competências.

A terceirização, como mencionado, é também uma forma de se livrar do operacional e de aproveitar seus colaboradores em RH de uma forma que utilize de fato suas competências. As oportunidades hoje são maiores do que jamais foram no passado e o caminho para uma linha mais estratégica e de excelência está traçado, mas percorrê-lo é uma escolha que você tem que fazer por sua conta e, na verdade, precisa fazer.

Criando modelos de gestão

O RH moderno opera com modelos de gestão mais baseados no pensamento estratégico e na inteligência de negócios. Deixamos de lado itens enumerados em currículos e passamos a olhar por competências, habilidades, perfis comportamentais e experiências de cunho mais generalista já nos processos de recrutamento e seleção.

Em treinamentos, rotinas óbvias e redundantes vêm sendo substituídas por treinamentos e processos de desenvolvimento pessoal e profissional mais holísticos, centrados na evolução do profissional e não mais no preenchimento de lacunas operacionais. As empresas querem funcionários versáteis e com motivação, não peças de um quebra-cabeças corporativo que deixam de ter qualquer função individualizada a partir do momento em que são “encaixadas” no todo.

A metáfora do quebra-cabeças funciona bem. Nesse passatempo, cada peça possui uma única função específica e só tem serventia em uma única posição, de um único lado e em uma única direção. Uma vez encaixada, essa peça deixa de existir – ela não tem mais préstimo.

Os resultados? Só os veremos quando todas peças estiverem devidamente encaixadas – e como você bem sabe, antes mesmo de começar a montar, já sabemos exatamente qual será o resultado: a imagem está logo na capa.

Uma empresa não pode mais atuar assim. Perseguir resultados previsíveis e o óbvio é algo que não apenas leva uma empresa ou departamento a um baixo rendimento, como também desmotiva profissionais, que são alocados apenas para uma única tarefa e de um único modo. Sua importância no todo é relativizada – sozinhos, não têm qualquer préstimo – e somente geram resultados à medida que todos os demais também sejam capazes de fazê-lo.

A armadilha da nobreza

Tarefas diferentes em empresas são vistas de modo diferente. Sua importância para o funcionamento do grupo pode ser absoluta – isso tende a criar uma imagem de nobreza em relação a alguns postos ou tarefas que muitas vezes não corresponde com a visão que a empresa e os demais funcionários possuem da coisa.

É a armadilha da nobreza: o caráter essencial da tarefa intoxica colaboradores sobre o real valor de seu trabalho e os torna pessoas que têm a certeza de que são insubstituíveis. O resultado disso é, necessariamente, um baixo rendimento.

Tarefas podem ser vitais e ainda assim necessitarem de automatização. Tente pensar em depósitos realizados na boca do caixa, em bancos, por empresas, algo que era corriqueiro e praticamente uma regra nos anos 1980.

Impossível dizer que tal tarefa não era algo de essencial, uma vez que o depósito de dinheiro e cheques no banco era o que mantinha o caixa da organização funcionando. Contudo, tal tarefa hoje praticamente inexiste: evoluímos em serviços bancários e tecnologia, e a grande maioria de nossos clientes hoje utiliza-se de meios de pagamento automatizados e digitais para cumprir suas parcelas.

Poucas são as empresas que ainda contam com funcionários que efetuem esse tipo de expediente, e mesmo quando isso ocorre, tal colaborador é geralmente alguém terceirizado. Um motoboy que presta serviços à companhia, empresas terceiras de transporte de valores e muito mais.

A armadilha da nobreza afeta muitas outras frentes dentro de uma empresa, e o setor de RH não é imune a ela. Operacional pode ser essencial, é bem verdade. Mas isso não significa que você tenha de perder o seu tempo e o tempo de muitos de seus colaboradores lidando com uma tarefa que poderia estar sendo realizado sem que você sequer tivesse de pensar nela.

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