Setembro Amarelo: Entenda a campanha e o que seu RH pode fazer para apoiar

Tempo de leitura: 10 minutos

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O Setembro Amarelo é uma campanha importante que não deve ser tratada como mera formalidade no calendário do RH. 

Para auxiliar os analistas da área a compreenderem o real significado dessa iniciativa, preparamos este conteúdo, com dicas e orientações sobre como abordar o assunto no âmbito corporativo. Continue a leitura e saiba como o RH pode apoiar e divulgar a campanha voltada à prevenção e à conscientização sobre o suicídio. 

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

O que é Setembro Amarelo

Trata-se de uma campanha mundial dedicada a prevenir e conscientizar as pessoas sobre o autoextermínio. O Setembro Amarelo ocorre de 1º ao dia 30 do mês, sendo que o dia 10 é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No entanto, as iniciativas de prevenção e conscientização acontecem o ano todo. 

Para isso, instituições, associações sem fins lucrativos, profissionais de saúde, empresas, imprensa, escolas e entidades governamentais promovem ações e discussões sobre o assunto.

No Brasil, alguns monumentos e prédios públicos recebem iluminação especial para marcar a campanha. Exemplos são o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Congresso Nacional e o Palácio do Itamaraty, no Distrito Federal. Ainda, o Elevador Lacerda, em Salvador, o Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre e o Monumento às Bandeiras, em São Paulo, também já foram alvo da campanha.  

Além disso, também é comum a realização de palestras, debates, rodas de conversa e caminhadas promovidas por entidades e prefeituras. 

Para termos uma ideia da dimensão do problema, basta conhecer dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o órgão, em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio. Ainda, um a cada 100 óbitos tiveram esse desfecho.  

O autoextermínio continua sendo uma das principais causas de morte no mundo e supera o número de vítimas de HIV, malária, câncer de mama e homicídio. Ademais, apenas 38 países têm uma estratégia nacional de prevenção. 

Infelizmente, a população jovem é bastante atingida. Tanto que o suicídio é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, superando acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal.

Origem, objetivo e importância do Setembro Amarelo

A campanha teve origem nos Estados Unidos, em 1994, em homenagem ao jovem Mike Emme, que cometeu suicídio aos 17 anos, no dia 8 de setembro daquele ano. 

No Brasil, a campanha começou em 2015, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é conscientizar a sociedade sobre o assunto. 

Segundo especialistas, o suicídio é um problema de saúde pública que, infelizmente, ainda não é tratado como tal. E os números são expressivos. No país, cerca de 12 mil casos ocorrem todos os anos, ou seja, mais de um milhão de pessoas, no mundo inteiro, abreviam a própria existência.

As ocorrências atingem todas as faixas etárias, porém os jovens são as maiores vítimas. O site oficial da campanha aponta que 96,8% dos casos de suicídio têm alguma relação com transtornos mentais. Ademais, depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias são causas do autoextermínio. 

Inclusive, o suicídio é uma das maiores causas de morte no Brasil, vitimando mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer. 

Todas essas estatísticas reforçam a importância do Setembro Amarelo para salvar vidas. Os índices crescentes de suicídios colocam o assunto em pauta na internet, nos grupos de discussão, na mídia e dentro das empresas. 

Por isso, um dos principais objetivos da campanha é prevenir novos casos de suicídio. Sabemos que o assunto ainda é considerado tabu em muitas culturas. No entanto, falar sobre suicídio e alertar sobre a importância da saúde mental é imprescindível para combater o estigma e salvar vidas. 

Como a empresa pode participar da campanha 

Para conscientizar e prevenir novos casos de suicídio, o envolvimento da sociedade é fundamental. Ainda, diante dos números registrados pela OMS, trabalhar a campanha Setembro Amarelo nas empresas é um dever do setor de Recursos Humanos, principalmente para evitar atentados contra a própria vida, transtornos mentais e afastamentos decorrentes de desordens emocionais. 

Para auxiliar nessa tarefa e devido à complexidade do problema, em 2019, a OMS desenvolveu um guia com o objetivo de reduzir as taxas de suicídio em um terço até 2030. Nesse sentido, ele está fundamentado em 4 estratégias:

  • limitar o acesso a pesticidas e armas de fogo;
  • educar a mídia sobre relatos responsáveis a respeito do assunto;
  • promover, entre os adolescentes, habilidades socioemocionais para a vida;
  • buscar a identificação precoce, avaliação, gerenciamento e acompanhamento de qualquer pessoa afetada por pensamentos e comportamentos suicidas. 

Desse modo, as empresas têm papel relevante para ajudar na conscientização, principalmente no que diz respeito ao quarto e último tópico da abordagem proposta pela OMS. Logo, o ambiente corporativo é – e deve ser – um ponto de apoio e o RH precisa estar atento à identificação do problema e à saúde mental dos seus colaboradores.

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Dicas de ações para o RH no Setembro Amarelo

A principal abordagem da campanha Setembro Amarelo é a conscientização. E o principal erro da gestão de pessoas é ignorar o problema e desconhecer suas causas

Sendo assim, é indispensável considerar que estamos lidando com pessoas de diferentes perfis comportamentais, níveis de resiliência e inteligência emocional mais ou menos desenvolvida. Por isso, confira algumas ações para o RH participar do Setembro Amarelo.

Promova uma cultura organizacional humanizada

Manter um ambiente humanizado, empático e acolhedor deveria ser uma prática constante nas empresas. Afinal, uma cultura organizacional com essas características ajuda a equilibrar as diferenças e fortalece a diversidade. 

Para isso, é importante que o RH busque aproximar as pessoas e evite segregá-las por sua etnia, gênero, faixa etária ou qualquer outro fator. 

Além disso, elaborar um código de conduta é interessante para que todos saibam, desde o primeiro dia na empresa, qual é o posicionamento da organização sobre saúde mental e como ela cuida das pessoas. 

Aposte na comunicação clara e sem rodeios sobre o assunto

A depressão é um dos principais fatores que podem levar uma pessoa ao suicídio. No entanto, outras situações funcionam como gatilhos emocionais e abalam o psicológico de um indivíduo. Trata-se de situações-limite que podem desencadear a partir de:

  • isolamento por diferentes motivos, seja como característica de personalidade, consequência do trabalho remoto ou por situações de assédio;
  • uso indiscriminado de substâncias, como remédios controlados e drogas ilícitas;
  • distúrbios psicológicos, como transtorno bipolar, estresse, ansiedade, esquizofrenia, estresse pós-traumático, Síndrome de Burnout, entre outros.

Falar sobre assuntos de ordem pessoal e oferecer uma escuta acolhedora contribui para identificar problemas. Logo, o RH deve oferecer apoio, sem ser invasivo, e sim solidário. 

Faça treinamentos e promova discussões

Muitas vezes, a pessoa em sofrimento psíquico não é o colaborador, mas algum familiar ou amigo. Então, como ajudar nesses casos? A resposta é simples: investindo em conhecimento e informação. 

Assumir uma postura ativa denota cuidado com os colaboradores e com seus familiares. Portanto, oferecer treinamento é útil para que todos saibam como agir quando identificarem sintomas e sinais

Para tanto, realize debates, produza informativos e crie canais para discussão. Isso vai tornar os distúrbios psicológicos e suas consequências – diretas e indiretas – um assunto relevante e longe de qualquer estigma. 

Ofereça suporte e apoio

É importante transformar os colaboradores em agentes disseminadores de informações sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Lembre-se que todos são capazes de ajudar quem precisa. 

Mas o RH deve estar atento ao absenteísmo. Afinal, as causas podem ser conflitos não solucionados entre colegas de equipe ou por quadros agravados de depressão. Então, busque recuperar um profissional com problemas e não afastá-lo ainda mais do convívio na empresa.  

Divulgue o Setembro Amarelo na empresa

Decorar os ambientes com a cor característica da campanha é uma ação simples, mas muito eficiente. Nesse sentido, faixas e balões amarelos, iluminação especial na fachada, distribuição de informativos com dicas e dados estatísticos podem fazer a diferença. 

Com essas ações, a empresa demonstra estar ciente que a prevenção ao suicídio vai muito além da campanha. Elas devem acontecer o ano todo e não podem se limitar à rede de saúde. 

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Sinais que o RH deve ficar atento

Perceber fatores de risco e sinais de alerta como mudanças comportamentais e absenteísmo ou presenteísmo ajuda a identificar problemas relacionados ao autoextermínio. Conheça alguns sinais que o RH deve estar atento para contribuir com a prevenção:

  • transtornos mentais: saiba identificá-los e encaminhe o colaborador para atendimento profissional com médico psiquiatra;
  • histórico pessoal: indivíduos que já tentaram suicídio têm 5 a 6 vezes mais chance investir contra a vida novamente;
  • ideação suicida: comentários que demonstrem desesperança, desespero ou desamparo podem ser manifestações claras de pensamentos suicidas. Frases explícitas como “eu preferia estar morto” ou sutis como “caso não nos encontremos novamente” não devem ser menosprezadas;
  • fatores de estresse crônicos ou recentes: situações como separação conjugal, migração, luto, crises financeiras ou perda de emprego podem ser causas de suicídio;
  • organização de detalhes: comportamentos que sugiram a preparação para o autoextermínio são sinais de alerta. Mensagens de despedida em redes sociais, bilhetes, telefonemas, testamentos, doações de posses ou acúmulo de comprimidos são indicativos que de algo não vai bem;
  • acesso a meios para cometer o ato: armas de fogo, locais elevados e medicação em grandes quantidades;
  • impulsividade: suicídios costumam ser planejados. Mas isso não é regra. Atos impensados ou motivados por eventos negativos também são preocupantes;
  • eventos adversos na infância e adolescência: maus-tratos, abuso físico, sexual, psicológico, uso de substâncias lícitas ou ilícitas, queda de desempenho escolar e falta de apoio à saúde emocional são fatores de risco;
  • motivos aparentes ou ocultos: muitas vezes, o desejo do suicida é apenas “acabar com a dor” ou “diminuir o sofrimento”. Portanto, é fundamental estar atento aos sinais que nem sempre são visíveis;
  • presença de outras doenças: enfermidades crônicas são fatores de risco. Por isso, além do acompanhamento de especialistas, é importante ter suporte psicológico. 

Agora que você conhece possíveis causas de suicídio e formas de lidar com o assunto, não deixe de dar visibilidade aos serviços de apoio, como CVV. Lembre-se que é fundamental a participação de todos os setores da sociedade para diminuir as taxas de suicídio. 

Por fim, tenha em mente que a prevenção deve sempre considerar fatores biológicos, psicológicos, políticos, sociais e culturais. Por isso, o sujeito deve ser visto como um ser complexo e único. Assim, suas particularidades serão respeitadas.

E não deixe de investir no planejamento estratégico da saúde mental e cuidado com os colaboradores. Afinal, viver vale a pena e falar é a melhor solução.

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