Recrutado pelo currículo, demitido pelo comportamento

Tempo de leitura: 6 minutos

Quantos de nós participamos ou participaremos de entrevistas de trabalho ao longo da vida? Praticamente todos, a não ser que a sorte nos premie com a loteria. E, ainda assim, algum trabalho deverá ser feito ou para manter a fortuna ou para multiplicá-la. Diante dessa realidade, saber como traçar um perfil para currículo é fundamental.

No entanto, é muito comum que a gente estude bastante, aprenda disciplinas relevantes, mas não saiba muito bem como colocar as nossas melhores qualidades profissionais e nossos diferenciais competitivos no papel. Ficou interessado sobre o tema? Então não deixe de conferir o post de hoje!

A realidade do mercado de trabalho

As relações de trabalho permeiam a vida do indivíduo que vive em sociedade. A todo o tempo somos chamados a nos qualificar, nos tecnicizar e especializar. E, quando se inicia a busca de empregos é o nosso currículo que faz as vezes de porta de entrada para o mundo dos negócios.

Como colaboradores, pensamos que a qualificação resolverá tudo por nós, mas a realidade é bem diferente: não temos o perfil ao cargo pretendido, não obstante sermos qualificados. Ao início das atividades para as quais fomos designados, somos tomados por frustração, pois devemos assumir características que não correspondem ao nosso perfil.

Como empregadores, analisamos currículos e nos impressionamos ou não por sua qualidade. Não conseguimos ver que, além do papel, há um ser humano que ali se encontra. Contratamos sem nos transpor aquela representação para o desempenho das tarefas e descobrimos, mais tarde, que fizemos uma escolha sem acerto.

Todas essas situações são cotidianas e nos mostram a importância na análise do comportamento quando procuramos um ofício ou quando contratamos alguém que os desempenhe.

Ferramentas de gestão de RH

A ferramenta DISC é muito importante nesse sentido, pois ela ajuda o RH a identificar qual o perfil e qual a tarefa, por assim dizer, tem uma probabilidade maior de acerto dentre os profissionais. Nos possibilita conhecer com antecedência como será o desempenho do profissional e sua tomada de decisões.

Qualquer empresa ou recrutador não pode abrir mão de contar com a ajuda da tecnologia se deseja ter mais eficiência e aumentar os níveis de acertos dos seus processos seletivos. Os resultados você verá em curto, médio e longo prazos.

Caraterísticas e perfis mais comuns

Planejador

Temos, por exemplo, o planejador. Este perfil tem o hábito de trabalhar de forma lenta e contínua, mas sem deixar a precisão de lado. Atua tranquilamente, preza pela harmonia. Quando colocado em situações de liderança, que exijam rapidez, superficialidade, autoridade, é bem provável que seu desempenho seja comprometido.

Não obstante a imensidão de suas qualificações, teremos um problema. Esse profissional poderá ser melhor aproveitado em um segmento em que a pressão seja menor, um local em que a análise calma e mais acurada seja realizada, pois seu perfil é detalhista, lento e de boa memória.

Analista

Outro perfil muito comum de ser encontrado é o do analista. Apesar de muita gente se considerar dessa maneira, é preciso ter olhos atentos para quem realmente possui esse adjetivo.

Entre as características mais comuns desse indivíduo está o caráter extremamente sensível e analítico. Isso também acaba sendo um desafio, pois expor esse cidadão a embaraços, constrangimentos, bem como a correções públicas, pode comprometer um funcionário leal para sempre, pois a mágoa o corrói como faz a nenhum outro.

Executor

O executor é o candidato favorito de muitos contratantes, mas ele nem sempre é indicado para todos os cargos. Um profissional que faz muito bem um serviço, por exemplo, pode não ter o mesmo sucesso se precisar passar informações a outros ou se tiver de ter mais parcimônia em algumas decisões.

Ele tem esse perfil de líder, porém, quando colocado em postos de trabalho que tolham sua energia de pulsão, que sejam calmos, que proporcionem a comunicação e contribuição coletiva, ele nem sempre terá a felicidade que almeja, pois são indivíduos ambiciosos, que precisam de locais em que tenham total controle sobre si.

Comunicador

Já um comunicador pode ser de grande valia em diversos aspectos, sobretudo para ajudar a manter um bom clima organizacional. É um perfil que, em linhas gerais, não tem a valorização que merece no mercado, embora essa característica seja muito cobrada e falada nos processos seletivos de inúmeras empresas.

Entretanto, se colocado em locais de silêncio absoluto, com uma rotina muito definida e grandes períodos de monotonia, esse profissional corre o sério risco de ficar extremamente frustrado ou mesmo de não apresentar o rendimento que os gestores esperariam dele de acordo com o que viram no papel.

O que deve contar em um currículo

Muitas pessoas colocam tudo o que vem à mente no currículo, mas os contratantes precisam avaliar o que efetivamente deve contar pontos na briga por uma vaga. O candidato deve ser curto e objetivo e apostar em palavras-chave que remetam às suas metas principais, bem como às suas áreas de interesse.

É o momento de destacar as habilidades, competências e conhecimentos gerais, mostrando os diferenciais que possui e como ele pode contribuir para o sucesso do negócio. Entre as informações essenciais estão o grau de conhecimento e instrução, as qualidades específicas, competências e conquistas anteriores.

As demandas também podem aparecer, pois mostram que a pessoa tem personalidade e não está desesperada por um posicionamento. Entre elas, deve constar o horário de disponibilidade e, se for o caso, até a pretensão salarial. É preciso apenas cuidado para não soar pretensioso ou arrogante.

A dificuldade na tomada de decisão

Perceba que esse excesso de perfis, até mesmo por falta de cuidado, pode comprometer a tomada de decisões tanto dos empregados quanto dos empregadores, aumentando as chances de constrangimentos futuros.

Colocar um profissional para desempenhar tarefas que não correspondam ao seu perfil gera desgastes para ao indivíduo, que deverá se adaptar a algo que não é, bem como prejuízos ao empregador, que verá neste profissional a falta de habilidades para o desempenho da tarefa e isso, por certo, resultará em sua demissão.

Entender que cada pessoa possui um perfil, algo que ultrapassa suas qualificações profissionais, é a melhor maneira de escolher qual emprego buscar e qual profissional eleger para determinadas tarefas.

Para isso, é imprescindível a observação de nosso comportamento. Por meio dela percebemos nossas inclinações, gostos, reações, sentimentos e comportamento às mais diversas situações.

Isto é o que possibilita a tarefa DISC, facilita a observação, favorece a análise dos pontos positivos e negativos de um profissional, reforça as potencialidades a serem trabalhadas, nunca transformando os indivíduos em algo que não são.

Traça ainda o perfil adequado para determinadas funções, gerando satisfação pessoal e profissional, autorrealização e felicidades a todos os envolvidos na relação de trabalho.

E agora, pronto para analisar o melhor perfil para currículo? Gostou deste conteúdo ou ainda ficou com alguma dúvida sobre o tema? Não deixe de enriquecer a discussão e fazer um comentário aqui no blog!

 

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of