Quiet ambition: o que é e como o RH pode identificar

Conheça o quiet ambition, uma tendência das novas gerações que pode impactar o cenário corporativo e o plano de sucessões da empresa.
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O quiet ambition é um novo conceito que vem se popularizando no Brasil conforme a geração Z entra no mercado de trabalho. Essa visão mostra uma preocupação maior com pautas particulares, com uma priorização menor das ambições profissionais. 

O tema vem sendo muito debatido pelos profissionais de Recursos Humanos, já que pode gerar uma crise nos planos de sucessão da empresa. Mas será que existe motivo para se desesperar? Neste post, explicamos melhor essa tendência e como você pode se adaptar para contornar o problema. Boa leitura!

O que é quiet ambition?

Quiet ambition significa, em tradução livre, "ambição silenciosa". Essa é uma nova tendência comportamental caracterizada pela falta de interesse nos profissionais, principalmente jovens da Geração Z, em assumir novos cargos e ocupar posições de liderança. 

Profissionais que apresentam essa postura priorizam pautas particulares e colocam sua vida pessoal acima das metas de trabalho. Assim, almejam objetivos profissionais mais discretos, que favorecem um equilíbrio maior na vida pessoal e profissional. 

O fenômeno tem sido considerado como uma contracultura corporativa. Afinal, o normal é que um profissional motivado queria subir na hierarquia da empresa, certo? Bom, depende. Para os jovens com quiet ambition, muitas vezes, as posições de liderança têm mais pontos negativos do que positivos. 

Essa é uma visão que vem de encontro a outras tendências comportamentais atuais como o quiet quitting ou "demissão silenciosa", em que o funcionário insatisfeito com o trabalho passa a fazer o mínimo necessário para sua função e diminui sua participação, produtividade e engajamento com a empresa.  

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Como essa tendência surgiu?

A expressão foi utilizada pela primeira vez em uma reportagem da revista americana Fortune, publicada em abril de 2023. A matéria trazia uma série de textos sobre ambição profissional e dezenas de relatos pessoais de trabalhadores. 

A modificação dos modelos de trabalho, como a ascensão do trabalho remoto, foi apontada como uma das principais causas dessa mudança de postura. Isso porque, ela transformou as relações de trabalho e fez com que muitos profissionais parassem para avaliar suas trajetórias profissionais. 

Essa reflexão levou jovens a colocarem na balança se realmente vale a pena assumir responsabilidades maiores por um pouco mais de dinheiro. 

Quais as motivações do quiet ambition?

A pandemia teve uma importância significativa nessa mudança de perspectiva. Mas ela não foi o único motivador do quiet ambition. A preocupação com a qualidade de vida e o bem-estar já vem sendo apontada como uma das principais tendências no mundo corporativo. 

Segundo o levantamento Carreira dos Sonhos 2023 da consultoria Cia de Talentos, 56% dos jovens estudantes ou recém-formados brasileiros acreditam que a qualidade de vida é hoje a questão mais importante na carreira.

Para se ter ideia da mudança de pensamento ao longo dos anos, a mesma pesquisa apontava, há 5 anos, que 67% dos entrevistados tinham o sucesso profissional como uma prioridade. 

Se as gerações mais antigas acreditavam no poder de uma trajetória profissional sólida, os nascidos entre 1996 e 2010 imaginam o mundo do trabalho de forma bem diferente. Para eles, as relações de trabalho têm papel secundário na lista de prioridades. 

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Então, como lidar?

Isso não quer dizer, necessariamente, que esses profissionais não tenham qualquer tipo de ambição ou aspiração profissional. Eles apenas não estão dispostos a assumirem os altos custos que podem vir com posições de liderança, como sobrecarga de trabalho e excesso de responsabilidades. 

Essa visão pode ser, inclusive, uma consequência direta do comportamento dos millennials e outros profissionais. Ao visualizar seus chefes, por exemplo, mandando e-mails aos finais de semana ou durante a noite, os profissionais mais novos temem ter que assumir a mesma postura ao serem promovidos. 

Outro ponto que contribui para o quiet ambition é a preferência dos profissionais pelo trabalho remoto. Grande parte da geração Z entrou no mercado de trabalho em um contexto pandêmico, no auge do distanciamento social. Isso fez com que esses trabalhadores se tornassem mais exigentes quanto à flexibilidade. 

Segundo a pesquisa Juventude e Pandemia, coordenada pelo Atlas das Juventudes no Brasil, 71% dos jovens dizem que a flexibilidade de horários é fundamental. Outros 76% afirmaram que a possibilidade de equilibrar melhor o trabalho com as questões pessoais é algo de que não pretendem abrir mão. 

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Como o quiet ambition pode impactar a empresa? 

É claro que esse tipo de postura tem um impacto importante dentro das organizações. Isso porque, se hoje esses profissionais estão apenas cumprindo suas atividades e fazendo aquilo que desejam em cargos mais baixos, como será no futuro? 

A falta de interesse em ocupar posições de liderança e gestão pode acabar gerando uma crise em relação aos planos de sucessão e ao legado da empresa. Porém, é possível que o RH pode se adaptar a essa tendência, por exemplo, oferecendo flexibilidade e qualidade de vida no trabalho.

Apesar dos problemas que a tendência pode trazer à gestão de pessoas, no entanto, é possível extrair algo de bom dessa nova perspectiva. Se analisarmos friamente, os profissionais da Gen Z tendem a sofrer menos com problemas que assombravam às gerações anteriores, como a Síndrome de Burnout e o excesso de estresse. 

Também têm uma visão menos hierárquica sobre o ambiente de trabalho, valorizando espaços cooperativos onde as ideias possam ser compartilhadas livremente. 

Entender como esses novos profissionais pensam e como eles se engajam e se motivam é essencial para que o RH consiga lidar com o problema, incentivando o desenvolvimento profissional e o interesse dos colaboradores. 

Como identificar profissionais com quiet ambition dentro da equipe?

Uma das principais características dessa tendência é, justamente, o fato de que esse é um comportamento silencioso. Isso quer dizer que, nem sempre, é simples identificar os profissionais com a mentalidade. 

Existem alguns indicadores, no entanto, que podem ajudar na identificação do problema. O primeiro deles é a falta de ambição do colaborador em assumir projetos desafiadores ou oportunidades de crescimento. Apesar de realizarem suas atividades do dia a dia, esses profissionais dificilmente demonstram iniciativa para assumir novas responsabilidades.

Além disso, tendem a evitar situações em que precisam liderar outros profissionais e preferem ficar nos bastidores, sem chamar muita atenção para si.

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Como o RH deve lidar com essa tendência?

A forma como as pessoas lidam com o contexto profissional muda sempre de geração para geração. Por isso, não é preciso se desesperar ao presenciar tendências como o quiet ambition

Entender que a mentalidade existe e que pode estar presente na sua empresa é o primeiro passo para que o RH consiga elaborar estratégias inteligentes para contornar a situação. A seguir, listamos algumas dicas que podem ajudar você a superar o problema, confira. 

Tome cuidado com as generalizações

Apesar de ser uma postura característica da Gen Z, isso não significa que todos os trabalhadores dessa geração pensam da mesma forma. 

Existem pesquisas específicas, inclusive, como a Future Workforce Study, da Adobe, que apontam um interesse de crescimento nos profissionais dessa geração. De acordo com o estudo, 70% dos entrevistados estão ansiosos por crescer e subir na hierarquia corporativa até ao nível C-suíte.

Tratar todos os colaboradores mais jovens como desinteressados, portanto, pode ser um comportamento bastante perigoso. A mesma pesquisa mostra, inclusive, que 50% classificaram a falta de caminhos claros para a promoção como uma das principais razões pelas quais abandonariam o emprego.

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Avalie os incentivos oferecidos pela empresa

A falta de interesse em crescer na empresa pode estar relacionada, também, aos incentivos e reconhecimentos que os colaboradores recebem pelo seu bom trabalho. Por isso, é interessante avaliar se a organização está sendo realmente atrativa no mercado.

De acordo com o estudo da Gallup, 71% das pessoas declaram que o aumento da remuneração atual os incentivaria a se tornarem líderes no futuro e 45% apontam melhores benefícios como motivadores para o crescimento.

Invista em uma comunicação transparente

Nem todos os profissionais almejam cargos de liderança e está tudo bem. Na verdade, isso é até bom, afinal, existem muito mais posições de base dentro de uma empresa do que de topo. 

Tendo isso em conta, é essencial que o RH e a gestão tenham uma comunicação transparente com o time para entender quais colaboradores têm ou não essa ambição. Isso vai evitar que você gaste tempo e dinheiro planejando o desenvolvimento ou a promoção de alguém que, no fundo, não quer liderar.

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Aumente a proximidade dos colaboradores com as lideranças

A causa do desinteresse, muitas vezes, pode vir de um distanciamento dos líderes com o time. Quando as pessoas do topo da pirâmide são muito inacessíveis, elas acabam deixando de inspirar outros a seguirem esse caminho. 

Sendo assim, vale a pena pensar em ações que tragam os líderes para perto do time e promovam uma integração. Isso vai ajudar os colaboradores a entenderem o papel dos profissionais com níveis hierárquicos mais altos e pode despertar a ambição por crescimento.

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Desenvolva os líderes atuais

Por fim, é importante analisar as lideranças atuais para entender se elas estão sendo realmente inspiradoras. Chefes visivelmente despreparados ou sobrecarregados vão trazer a ideia de que os cargos de liderança não são saudáveis e oferecem mais pontos negativos do que positivos. 

Assim, para estimular outros profissionais a desejarem esses cargos, é essencial que o RH cuide bem de seus líderes, investindo em seu desenvolvimento pessoal e profissional e em ações voltadas para a melhora da qualidade de vida. 

Concluindo, o quiet ambition é uma tendência das novas gerações que pode trazer problemas para a gestão de pessoas e para o plano de sucessões de um negócio. 

É importante, portanto, que o RH entenda o que é essa visão e qual a sua motivação, para que consiga pensar em ações estratégicas para contornar o problema e inspirar os colaboradores a buscarem crescimento dentro da empresa. 

Deu para perceber que o equilíbrio é muito importante em relação à tendência. Para você entender mais, A Escola de Pessoas da Sólides tem um curso gratuito sobre valor pessoal e propósito no trabalho. Confira!

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