Por que adotar a Gestão Comportamental?

Tempo de leitura: 9 minutos

A Gestão Comportamental parece ter virado moda nas empresas. Como tudo o que entra no mainstream, é preciso ter cuidado com as soluções prontas e também com os especialistas que começam a aparecer aqui e ali, mas a grande verdade é que essa modalidade de gestão ganhou espaço no campo corporativo com rapidez, e hoje é aplicada pela maioria das grandes empresas do país. A questão é: por quê?

Em primeiro lugar, a gestão comportamental, para aqueles que ainda não estão acostumados ao termo, é aquela que visa guiar e motivar indivíduos de forma a modificar suas ações e interações em determinadas circunstâncias.

A abordagem em si não é uma novidade. A gestão comportamental é algo usado há décadas, talvez séculos no campo da pedagogia, para interferir no comportamento de alunos, e também é aplicado no campo familiar, em terapias individuais ou em grupo e também por profissionais da área médica. Nas empresas, a utilização dessas ferramentas de gestão é algo que teve início, principalmente, no gerenciamento de muitas gerações com características distintas, que hoje dividem espaço em ambientes de trabalho.

A ideia da gestão comportamental é a de identificar comportamentos negativos, embora não necessariamente ligados à conduta do indivíduo, e criar rotinas educacionais e de apoio que permitam ao colaborador compreender os prejuízos de seu comportamento e buscar alternativas de ação que melhorem sua performance.

A gestão comportamental cresceu também como reação ao descontentamento e como resposta a questões que o profissional de hoje faz a respeito de si mesmo e da empresa ou organização que o emprega. O objetivo final da gestão comportamental é tornar cada um dos colaboradores alguém preparado para gerir seu próprio comportamento, com vistas à produtividade e desempenho do negócio.

Vivemos ainda em uma era da informação e da autocapacitação – pessoas buscam respostas e conhecimento, hoje em dia, por conta própria, e isso também se estende ao campo de desenvolvimento pessoal e comportamental.

Por que as empresas estão preocupadas com o comportamento?

O comportamento de determinados profissionais, especialmente quando possuem posições de liderança dentro de uma organização, é algo que interfere de maneira crucial na produtividade e até mesmo na qualidade do trabalho de outros colaboradores. No universo das empresas, a gestão comportamental ganhou espaço de forma rápida por uma simples razão: problemas de comportamento e relacionamento geram prejuízos.

Todo indivíduo, do ponto de vista comportamental, gera reflexos evidentes por sua conduta e ações na equipe em que atua, potencializados quando nos referimos a uma chefia. Essa equipe, por sua vez, assume determinadas posturas comportamentais de forma coletiva, que interferem por sua vez em toda organização. A gestão comportamental subiu em conceito pois percebeu-se que o comportamento de um único indivíduo tem o poder, não tão raramente assim, de gerar reflexos em toda uma organização – e que esses reflexos podem ser positivos ou negativos. Algumas constatações a respeito do comportamento também tornaram a gestão nessa modalidade algo constante e necessário:

  • Problemas de relacionamento e comportamento levam à perda e fuga de talentos
  • Grande parte dos problemas relacionados à liderança estão associados ao campo comportamental
  • A consolidação de novas normas de cunho trabalhista, como a caracterização jurídica do assédio moral, elevaram as preocupações no meio empresarial
  • O comportamento e suas consequências passaram a ser mensuráveis sob o ponto de vista da produtividade
  • Perfis comportamentais ganharam espaço nas políticas de contratação, seleção e recrutamento

Por muito tempo, empresas simplesmente não compreendiam como equipes cujos profissionais possuíam qualificações excepcionais podiam responder tão pouco em termos de produtividade. O comportamento foi a resposta encontrada e, com ele, a origem dos aspectos positivos e negativos do relacionamento entre os profissionais dentro de um mesmo grupo.

Claro, há também a questão financeira. Uma gestão comportamental bem definida implica em custos objetivos muito menores do que outras alternativas de formação e preparo de profissionais. Ganha-se mais em produtividade e com um investimento menor – ninguém poderia querer algo mais perfeito.

De volta à escola

Sob muitos aspectos, a gestão comportamental reproduz, no campo empresarial, métodos e estratégias que são utilizadas no ensino e na pedagogia, para conseguir melhor rendimento dos alunos e estudantes. Há basicamente seis abordagens entre as mais utilizadas:

  • Disciplina: assim como ocorre com professores, líderes em empresas estabelecem todo um ambiente que é cercado de regras e rotinas específicas, que facilitam o trabalho e a produção. Conformidade com as normas estabelecidas é algo geralmente recompensado, enquanto que a transgressão gera respostas negativas por parte da liderança, como em uma sala de aula. Essa linha comportamental, associada às normas de ética profissionais que vemos atualmente e já perduram por décadas, é algo que sempre esteve presente, em maior ou menor grau, dentro das corporações.
  • Consequências lógicas: a gestão comportamental geralmente emprega consequências chamadas lógicas. Colaboradores podem nortear seu comportamento com a ideia de que há certa previsibilidade em relação às consequências positivas e negativas de seus atos, ao contrário de normas de conduta que envolvam recompensas e punições arbitrárias. A consequência lógica permite ao profissional avaliar a gradação e gravidade de cada uma de suas ações, antes mesmo de conduzi-las. De uma forma quase que instintiva, seu comportamento passa a considerar as vantagens e desvantagens de cada atitude, criando uma barreira natural para o comportamento negativo ou reprovável e um fator natural de motivação para ações pró-ativas e positivas dentro da empresa.
  • Terapia de realidade: também advinda do campo pedagógico, essa abordagem consiste no esforço para satisfazer e compreender as necessidades de sobrevivência, sociais, poder e liberdade de cada um dos colaboradores, permitindo que eles mesmo autorregulem seu comportamento com base na realidade na qual estão inseridos. A gestão comportamental empresarial deve, desse modo, levar em consideração todo o entorno de cada colaborador, não necessariamente apenas no ambiente de trabalho. Os gatilhos e origens do comportamento das pessoas no local de trabalho e em suas relações nem sempre está enraizado em eventos ocorridos na esfera profissional – aliás, na maioria das vezes têm origem no campo pessoal.
  • Ginott: embora não seja necessariamente empregada sob o nome do psicólogo Haim Ginott, esse método é amplamente utilizado no campo de gestão comportamental em empresas. É a abordagem da comunicação. Apenas o comportamento é colocado como inaceitável, não o colaborador, e limitam-se as críticas ao evento ou comportamento específico avaliado. Problemas são levantados de forma impessoal, desencorajando interações negativas, e sentimentos dos colaboradores jamais são ignorados.
  • Transformação: é o ponto de vista empregado em modelos de coaching, hoje muito presentes nas empresas. O indivíduo passa por exercícios abertos que processam um comportamento e incentivam sua transformação (e não sua extinção). O modelo da transformação promove estímulos a uma evolução comportamental que atenda às necessidades da empresa e do indivíduo de forma simultânea, ou chegue a um ponto comum aceitável para ambos. O campo da transformação opera em duas frentes: auxiliando o indivíduo a modificar seu comportamento em relação a condições nas quais ele está inserido, ou promovendo apoio e orientação para que ele adeque seu comportamento a mudanças que estejam em curso.
  • Exemplo: a gestão comportamental utiliza amplamente também o modelo do exemplo. A partir das lideranças, determinadas linhas de comportamento são demonstradas como corretas e produtivas, enquanto outras são expostas como negativas ou impróprias. O modelo de mentoria, usado com executivos de todas as áreas e graus hierárquicos, também deriva desse tipo de abordagem. Fala-se muito em liderança por exemplos – o que nada mais é do que uma abordagem comportamental do líder para com seus seguidores ou colaboradores – a ideia central de que a melhor maneira de promover uma conduta ou incentivar uma ação é realizando-a.

Mais resultados

A gestão comportamental é um modelo que opera em crescimento. As razões são diversas, mas do ponto de vista prático, sua escalabilidade está ligada principalmente aos resultados relativamente rápidos que é capaz de operar.

A transformação e aprimoramento do comportamento de colaboradores têm se mostrado as armas mais eficazes para gerar resultados. Basicamente tendo os mesmos recursos humanos em mãos, organizações conseguem aprimorar seus resultados de forma dinâmica e crescente, num processo de melhoria constante que as desobriga a pesados investimentos em infraestrutura, novas contratações ou reformulações de suas políticas e cultura.

A gestão comportamental ainda é um campo recente em sua aplicação empresarial, e nos próximos anos deve englobar mais abordagens pedagógicas e psicológicas em seu rol de ferramentas para melhoria e avanço da produtividade.

A gestão do comportamento ainda tem se mostrado eficaz na esfera do próprio profissional, que pode construir seu plano de carreira com uma visão mais sistêmica, promovendo seu sucesso por meio de mudanças de atitude e uma visão mais clara de como suas ações e seu comportamento influenciam de modo negativo ou positivo sua própria evolução como profissional.

Gostou de saber mais sobre Gestão Comportamental? Leia também nosso post sobre Softwares de RH e use a tecnologia para aumentar a eficiência de sua equipe!

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Giuliano Salesanderson ribeiroSabrinaReginaldo ElizeuEdvaldo Mendes dos Reis Recent comment authors
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Edvaldo Mendes dos Reis
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Edvaldo Mendes dos Reis

Excelente material

Reginaldo Elizeu
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Reginaldo Elizeu

Valeu pela dica.

Sabrina
Visitante

Muito bom o material

Giuliano Sales
Editor

Que bom que gostou, Sabrina!
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anderson ribeiro
Visitante
anderson ribeiro

material de grande proveito, muito bom.

Giuliano Sales
Editor

Olá, Anderson. Tudo bem?
Muito obrigado pelo seu feedback, ficamos felizes em saber que nosso conteúdo conseguiu agradá-lo.
A Gestão Comportamental é muito importante para o fortalecimento da gestão de pessoas, não deixe de acompanhar nossos outros conteúdos.
Abraços.