O que se espera do RH inovador?

Tempo de leitura: 7 minutos

É muito fácil bater no peito e se autointitular inovador, mas o fato é que um departamento de RH somente pode se dizer inovador quando atende a determinadas expectativas da organização na qual atua e dos colaboradores que atende. Contudo, quais são essas expectativas?

Bem, primeiro convenhamos que a expectativa de um RH inovador difere do ponto de vista da empresa e funcionários em muitos aspectos – em outros, ela é similar. Em primeiro lugar, no mundo de hoje, podemos resumir a expectativa de qualquer público em relação à inovação em duas palavras principais: acessibilidade e utilidade.

Um RH inovador precisa ser útil para colaboradores, mas também para a empresa em si, assim como precisa compartilhar e conceder acesso ao material e informações que produz a todos eles. A partir dessas duas características, podemos chegar à primeira grande expectativa: uma boa comunicação.

A internet e a comunicação avançaram praticamente séculos apenas nos últimos anos. Fechar os olhos à mudança brutal de comportamento das pessoas em relação ao modo com que se comunicam é, atualmente, uma forma de cair no esquecimento. O departamento de recursos humanos, como inclusive sugere seu nome, precisa ser um dos primeiros a inovar em termos de comunicação e relacionamento – uma vez que lida com pessoas como sua principal incumbência. Isso significa:

  • Utilizar plataformas móveis para a comunicação, bem como aplicativos de mensagens e redes sociais;
  • Fazer uso da nuvem para trafegar, armazenar e disponibilizar informações e dados;
  • Criar rotinas que forneçam dados em tempo real;
  • Oferecer atendimento em canais diferenciados, presenciais e remotos.

Isso não é mais uma inovação, é praticamente uma obrigação. O RH pode sim inovar no modo que ele utiliza esses canais e ferramentas, porém o simples fato de utilizá-los não mais é algo visto como inovador, e sim como uma lógica e uma inevitabilidade.

Agora especificando: o que funcionários desejam ou esperam? E a empresa e a diretoria? Bem, isso tudo gira em torno de dois eixos principais, o atendimento e o resultado.

Sim, a visão precisa ser diferente. Duas vertentes muito particulares que precisam de inovações que muitas vezes não caminham  juntas. A seguir veremos esses dois lados da mesma moeda mais a fundo, bem como o modo com que o RH precisa se desenvolver nessas frentes.

Antes de falar novamente em inovação em RH, leia os próximos parágrafos. Eles podem mudar seus conceitos de forma sutil e levar você a realmente produzir inovações que surtam efeito e impacto na área em que você atua.

O atendimento como inovação

Colaboradores raramente tinham contato com o RH na empresa tradicionalista de anos atrás. Durante o recrutamento e no ato de contratação, faziam testes e preenchiam formulários. Em geral, somente viam alguém do RH novamente ao se desligarem da companhia ou serem demitidos.

O contato era pouco, o relacionamento quase nulo e o atendimento, muitas vezes, nenhum. Hoje em dia a coisa mudou.

Novas necessidades corporativas, rotinas e técnicas de treinamento e aprimoramento e avaliações que correm durante o curso do funcionário na empresa, como avaliações comportamentais, fizeram com que o RH se tornasse um departamento que tem  interesse em estabelecer um relacionamento com colaboradores.

Contudo, após décadas sendo deixado de lado, o profissional  geralmente desconfia ou ignora tentativas de aproximação do RH, dificultando a comunicação e o relacionamento e prejudicando, muitas vezes, as próprias metas e estratégias do RH.

Mas como sanar esse problema?

Bem, é preciso criar e inovar no atendimento.

Colaboradores precisam sentir utilidade no RH por meio do atendimento que lhes é prestado. Cursos e possibilidades de aprimoramento pessoal e profissional têm de ser desenvolvidos sob medida. Avaliações comportamentais têm de vir seguidas de um atendimento que proporcione melhores condições de clima e trabalho. Interferências junto a líderes e equipes precisam criar vantagens e oferecer produtos.

O RH se tornou uma espécie de loja, onde funcionários buscam apoio e novas ferramentas para desenvolver suas carreiras. E como toda loja, o que faz com que o cliente retorne é um bom atendimento. Isso significa, sob a óptica do cliente-colaborador:

  • Facilidade de comunicação e diálogo;
  • Explicações e informações claras e concisas;
  • Rapidez de entrega;
  • Cordialidade no atendimento;
  • Produtos feitos sob medida;
  • Um pós-venda satisfatório e útil;
  • Variedade e utilidade;
  • Chance de escolha.

Essa última característica é extremamente importante: as inovações de hoje têm, em grande parte, um atributo em comum. Elas nos permitem escolher. Dentro das empresas, cada vez mais funcionários se veem desprestigiados ou infelizes na impossibilidade de fazer suas próprias escolhas de carreira. O resultado tem sido uma fuga de talentos como nunca se viu na história do capitalismo.

A inovação em atendimento é uma das melhores chances do RH de reverter essa debandada de talentos e competências e criar um ambiente no qual o colaborador possa ser o protagonista de sua própria carreira.

O resultado como inovação

As empresas, por outro lado, não querem ser atendidas por seus departamentos de RH. Historicamente, no mundo corporativo, departamentos pessoais nada mais faziam do que atender às suas organizações. Mediante pedidos, agiam para conseguir resultados – uma lógica passiva e clientelista.

O RH inovador precisa conquistar uma posição de pró-atividade dentro da empresa e oferecer resultados de forma ativa e não provocada. Isso quer dizer, necessariamente, que é preciso conhecer muito mais a fundo o negócio da organização em si.

Departamentos como o RH e outros mais, até muito pouco tempo, eram departamentos tidos como de apoio. Lideranças dentro deles atinham-se apenas ao trabalho que chegava, não despendendo muito tempo para compreender a fundo as razões e necessidades da empresa no desenvolvimento de seus negócios.

Poucos RH estavam preocupados com coisas como lucro, receita, concorrência, acesso ao capital e outros. Havia sim uma preocupação com a produtividade, mas apenas no escopo do meio do processo, não na entrega ou no resultado final que era consequência dessa produtividade.

Era como se o importante fosse, por exemplo, o número de produtos que passavam por uma esteira industrial – não a qualidade dos produtos ao final dela ou o nível de preço com que esses produtos eram vendidos.

O RH inovador, dentro das expectativas da organização, é capaz de enxerga além do processo – e ver que tipo de variáveis são importantes para que a empresa produza mais resultados com seu negócio e atinja sua missão.

Como departamento, a lógica de negócio precisa impregnar cada um dos colaboradores dentro dos recursos humanos, e cada ação precisa levar em conta os resultados potenciais que dela podem derivar. Para isso, é preciso:

  • Construir métricas e indicadores que estejam em linha com as necessidades de negócio da empresa, com sua missão e reflitam, em termos de pessoal, os objetivos da empresa;
  • Criar oportunidades para a direção, para que a gestão de pessoas figure como uma ferramenta no crescimento e melhoria contínua;
  • Oferecer competências como ferramentas estratégicas em linha com metas estabelecidas pela empresa;
  • Criar treinamentos que ofereçam perspectivas de resultado, e fugir do lugar-comum e do pró-forma;
  • Estudar concorrentes e avaliar oportunidades dentro do mercado como um todo, não apenas no ambiente da organização;
  • Oferecer não apenas oportunidades que envolvam gastos, mas também produtos e serviços que possam, inclusive, gerar receita e lucros adicionais para a organização.

Parece difícil, mas inovar nunca é tão simples. Exige observação, avaliação rápida de oportunidades, liberdade de pensamento e criatividade. O RH está caminhando para se tornar um departamento criativo – o ar de “semi” cartório de muitos departamentos pessoais precisa ser transformado em um ambiente criativo, no qual colaboradores possam se sentir atendidos e empresas vejam possibilidades e resultados.

E para você, no meio disso tudo, essas inovações podem significar um melhor desenvolvimento de carreira, padrões novos e completamente inusitados para colaboradores e a chance de fazer parte de tendências que irão adiante – quer você participe delas ou não.

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