Qual o cenário do mercado de trabalho para as mulheres?

Entenda o que os dados evidenciam sobre as mulheres no mercado de trabalho, o que já foi alcançado e quais os desafios atuais.
mulheres no mercado de trabalho
GARANTA SUA VAGA

Aqui você encontra:

Não há dúvidas de que o papel das mulheres no mercado de trabalho é cada vez mais central e segue, ao longo do tempo e com muita luta e dedicação, ganhando o espaço e o reconhecimento merecidos.

No entanto, é inegável que, apesar dos avanços das últimas décadas, ainda há desafios a serem vencidos quando o assunto é a participação feminina nas empresas. Neste post, abordaremos o contexto do cenário das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Confira!

A história das mulheres no mercado de trabalho

A partir de 1930, com a revolução industrial no Brasil, as mulheres passaram a ingressar no mercado de trabalho, porém com poucos direitos e muitas limitações. A presença no mercado passou a fazer parte da luta de mulheres que almejavam o direito de trabalhar e de conquistar mais liberdade e autonomia. O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, é uma lembrança desse avanço.

Após 1970, o panorama começou a melhorar e os números passaram a retratar a contribuição importante que as mulheres dão para o Brasil. Segundo o IBGE, em 1950 apenas 13,6% das mulheres eram economicamente ativas, o que passou para 49,9% em 2010. 

A busca por representatividade e igualdade chegou às empresas e ao mercado de trabalho, o que fez com que a participação feminina não só fosse reconhecida como considerada essencial e de muito valor. 

Por isso, esse direito conquistado com muita luta, vem transformando a realidade do mercado e das empresas, que caminham, cada vez mais, para incentivar, apoiar, valorizar e impulsionar colaboradoras.

Baixe grátis!

Cenário das mulheres no mercado de trabalho do Brasil

Apesar de tudo o que já foi conquistado ao longo dos anos, o caminho de ascensão das mulheres no mercado de trabalho ainda é árduo. De acordo com dados do IBGE divulgados em 2019, 65% da mão de obra geral do mercado ainda é masculina, em comparação com 45% feminina. 

Segundo a mesma pesquisa, as trabalhadoras brasileiras podem receber até 20% a menos que os homens, mesmo exercendo as mesmas funções.

Ainda, o Opinion Box entrevistou homens e mulheres de todos os estados e classes sociais para entender suas percepções sobre a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro. As informações são bem interessantes:

  • 60,2% dos entrevistados acham que as mulheres têm condições e oportunidades piores do que os homens; 
  • 57,3% das mulheres que trabalham ou já trabalharam se sentiram prejudicadas em sua trajetória profissional, simplesmente por serem mulheres;
  • 50,2% das entrevistadas acreditam que teriam tido mais oportunidades de trabalho se fossem homens;
  • Apenas 2,9% dos entrevistados acreditam que, em geral, as mulheres não têm a mesma capacidade que um homem para cargos de liderança;
  • 65,1% acham que deveria haver mais mulheres liderando as empresas;
  • 12,6% das empresas não têm nenhuma mulher em cargo de liderança;
  • 46,6% têm mais homens do que mulheres em seu quadro de gestores;
  • 38,2% disseram que as mulheres ganham menos do que os homens nas empresas em que trabalham.

Ainda, estudos demonstram que essa parcela feminina foi a que mais sofreu com a crise econômica e o isolamento social durante o período de isolamento social iniciado em 2020. 

Em 2021, as mulheres brasileiras não conseguiram aumentar sua participação em cargos de liderança, perderam inserção no mercado e foram as que mais sofreram com o desemprego no país. Além disso, são as que mais sofrem com a desaceleração econômica global, observada no fim de 2023. 

Quais os impactos da participação feminina no mercado de trabalho?

Ter grandes exemplos de mulheres no mercado de trabalho é essencial. Mas falar sobre as contribuições e a evolução que elas trouxeram para esse cenário também é importante. Conheça os principais impactos da presença feminina nas empresas:

  • Empresas com pensamentos mais diversos;
  • Criatividade para cumprir as demandas;
  • Inovação para solucionar as tarefas;
  • Mais diversidade e inclusão no quadro de funcionários;
  • Ambientes de trabalho mais participativos e horizontais;
  • Desempenho financeiro até 21% melhor;
  • Injeção de bilhões na economia brasileira;
  • Aumento do PIB nacional.

Mais do que benefícios para o cenário trabalhista, as mulheres mostram que a sua presença no mercado de trabalho faz a diferença e transforma os negócios, a sociedade, a economia e o país. E elas fazem isso de diferentes maneiras, vamos destacar algumas a seguir.

💡Saiba mais: Entenda o cenário das mulheres no RH

Mulheres na liderança

Segundo estudo, a liderança feminina gera um resultado operacional 48% maior. No entanto, apesar dos dados positivos, apenas 39,1% dos cargos gerenciais pertencem a mulheres, e somente 16% dos postos de alta gestão são ocupados por elas, de acordo com a pesquisa da Page Executive.

Ao mesmo tempo, vimos que a participação feminina no mercado de trabalho vem sendo cada vez mais reconhecida. Segundo uma pesquisa da Business Report (IBR), realizada em 2019, no período de um ano houve um crescimento próximo de 30% no número de empresas com pelo menos uma mulher em cargos de liderança. 

A Sólides também faz parte dessa lista com Mônica Hauck, Founder e CEO da HRTech líder no país para pequenas e médias empresas, conduzindo um time e um negócio que crescem exponencialmente.

Ainda, no Brasil, há exemplos de grandes empresas lideradas por mulheres, como a Ambev, liderada por Patrícia Capel, e a Microsoft Brasil, conduzida por Paula Bellizia. 

Empreendedorismo feminino

As mulheres empreendedoras também representam uma grande parcela das trabalhadoras brasileiras. Especialmente no cenário da pandemia, houve um aumento no número de mulheres que investiram na abertura do seu próprio negócio

Elas contribuem significativamente para a movimentação da nossa economia e mercado. Afinal, as mulheres apresentam características e habilidades muito poderosas para o empreendedorismo.

Dentre muitas características, elas são criativas, comunicativas, multitarefas e muito persistentes, por isso podem ser empreendedoras de muito sucesso. Não quer dizer que não terão desafios, mas seus comportamentos e habilidades podem ajudá-las a dar bons saltos.

Como a desigualdade de gênero afeta o mercado de trabalho?

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho é um problema muito maior do que se pensava anteriormente. Recentemente, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) afirmou ter desenvolvido um novo indicador que mede a taxa de desemprego e detecta todas as pessoas sem emprego à procura de alguma atividade.

Segundo os dados, 15% das mulheres em idade ativa no mundo gostariam de ter um emprego, mas não têm, contra 10,5% dos homens. Essa brecha é ainda mais grave nos países em desenvolvimento, onde a proporção de mulheres que não conseguem encontrar um emprego chega a 24,9%.

Desse modo, o impacto disso é uma porcentagem maior dessas mulheres em empregos vulneráveis, inclusive em negócios familiares. O fato de receberem salários menores, também impacta o acesso feminino à educação e novas oportunidades de atuação, criando dificuldades financeiras. 

Percurso histórico das mulheres no Brasil

Entender todo o longo caminho percorrido pelas mulheres ao longo dos anos é uma forma de compreender melhor tudo o que já foi conquistado e o que ainda precisa ser alcançado por essas profissionais. 

Para ajudar nessa visão, traçamos, a seguir, uma linha do tempo com as principais realizações femininas ao longo dos anos. 

  • 1827: meninas são autorizadas a frequentar a escola;
  • 1879: é liberado o acesso aos cursos universitários, mesmo assim, as universitárias pioneiras foram duramente criticadas;
  • 1932: as mulheres conquistam o direito ao voto por meio do primeiro Código Eleitoral Brasileiro;
  • 1960: é criada a primeira pílula anticoncepcional, garantindo o direito ao controle de natalidade;
  • 1962: a autorização do marido deixa de ser necessária para as mulheres trabalharem, de acordo com o Estatuto da Mulher Casada;
  • 1974: as mulheres conquistam o direito de portarem o próprio cartão de crédito, desde que houvesse um homem para assinar o contrato;
  • 1977: a Lei do Divórcio é aprovada, mas mulheres divorciadas ainda não eram bem vistas na sociedade;
  • 1985: é criada a primeira Delegacia da Mulher em São Paulo;
  • 1988: a Constituição Brasileira passa a reconhecer as mulheres como iguais aos homens;
  • 1988: é criado o direito à licença-maternidade durante um período de 120 dias;
  • 1996: o Congresso Nacional cria um sistema de cotas para garantir a inscrição de, pelo menos, 20% de mulheres nas chapas eleitorais dos partidos;
  • 2006: é sancionada a Lei Maria da Penha, para reconhecer e combater a violência doméstica;
  • 2010: O Brasil elege a primeira mulher presidente, Dilma Rousseff (PT);
  • 2015: é criada a Lei do Feminicídio, que classifica como crime hediondo o assassinato de mulheres por razões de condição de gênero.
12 dicas de ações para o Dia Internacional da Mulher na empresa

Quais os desafios e oportunidades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho?

Apesar de todos os direitos já conquistados pelas mulheres no mercado de trabalho ao longo dos anos, ainda há muitos desafios pela frente. A boa notícia é que também existem algumas oportunidades que podem ser exploradas. A seguir, abordamos melhor o assunto. 

Dupla jornada e acúmulo de tarefas

A jornada dupla e o acúmulo de tarefas ainda é um dos fatores que mais impactam a carreira profissional feminina. O problema envolve aspectos culturais e sociais, afinal, as mulheres seguem sendo vistas como as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e cuidado com os filhos. 

Portanto, de acordo com pesquisas, os homens gastam em média 10,9 horas por semana em tarefas ligadas à casa, enquanto as mulheres gastam 21,3 horas. Toda essa responsabilidade, acumulada às horas da jornada de trabalho, faz com que as trabalhadoras fiquem muito mais suscetíveis a exaustão e episódios de burnout

Assédio no ambiente de trabalho

Como se não bastassem todas as dificuldades já citadas e a falta de oportunidades, as mulheres também são quem mais sofrem com o assédio no trabalho

Assim, a pesquisa do Opinion Box citada anteriormente mostra que 37,8% das entrevistadas e 28,2% dos entrevistados acreditam que existe alguma forma de assédio contra as mulheres onde trabalham atualmente. 

48,5% das mulheres que trabalham ou já trabalharam alegam que sofreram algum tipo de assédio moral no ambiente de trabalho, e 26,3% já sofreram assédio sexual. Em relação aos homens, os números caem para 30,7% e 8,2%, respectivamente.

Maternidade e carreira

Segundo o IBGE, as mulheres trabalham cerca de 3 horas a mais, por semana, que os homens, considerando suas diversas jornadas de trabalho: trabalho remunerado, doméstico, funções familiares, entre outros.

Nesse contexto, a maternidade permanece sendo um desafio para a maioria das mulheres em relação ao mercado de trabalho. Essa afirmação é confirmada pelo fato de que 94% das mulheres entrevistadas pela Revista Crescer têm dificuldade de conciliar maternidade e carreira. 

Entretanto, mudanças vêm sendo propostas para melhorar essa realidade. Alguns avanços já foram conquistados, como:

  • Flexibilização de horários de trabalho e formas de atuação (por exemplo, home office);
  • Proposição e incentivo à formação de redes de apoios entre mães e mulheres, nas empresas e entre elas;
  • Projetos de parcerias com creches e espaços temporários para os filhos e filhas das mães trabalhadoras.

Áreas predominantemente masculinas

Parece dificil de imaginar mas, ainda hoje, existem algumas áreas e setores de atuação predominantemente masculinos, onde as mulheres enfrentam preconceitos, assédio e discriminação

Caminhoneiras, pilotas de avião, médicas cirurgiãs, engenheiras e políticas precisam se provar ainda mais para mostrar que são capazes de realizar as mesmas atividades que um homem com a mesma ou até mais qualidade. 

Oportunidades emergentes

Apesar dos desafios e da falta de oportunidades em algumas áreas, existem outras em que as habilidades das mulheres são mais do que valorizadas. Alguns nichos de mercado acabam sendo dominados por essas trabalhadoras, seja por afinidade ou pela familiaridade com determinadas competências. 

Ficar atenta a esses setores pode ser interessante para quem deseja boas experiências e almeja cargos de liderança: 

  • Vestuário para exportação;
  • Fashion delivery;
  • Moda plus size;
  • Eventos e casamentos;
  • Mercado pet;
  • Inovação e tecnologia;
  • Sustentabilidade e agronegócio.

Material gratuito: guia completo sobre desenvolvimento de lideranças

Preencha o formulário e receba o material grátis no seu e-mail 📩

Habilidades femininas que destacam as mulheres no mundo do trabalho 

Além das particularidades biológicas, culturais e no mundo dos negócios, as mulheres apresentam comportamentos e habilidades importantes para o mundo do trabalho. Veja a seguir.

Sensibilidade e Afetividade

Durante muito tempo, a sensibilidade e afetividade das mulheres foram características depreciadas pelo mercado. 

O que era sinônimo de fraqueza, hoje é reconhecido como skill importante para cargos de liderança, por exemplo, por trazer melhores relações entre líderes e liderados, clima organizacional positivo e humanizado. 

Portanto, a sensibilidade auxilia na comunicação, na reação perante desafios e na conciliação de conflitos, o que são características essenciais nas organizações.

Determinação e foco em oportunidades

As mulheres são muito determinadas e compromissadas. Historicamente, elas costumam dar mais importância para oportunidades de crescimento que aparecem ou que elas mesmas projetam. 

Isso porque, essas profissionais são persistentes para conquistar o próprio desenvolvimento e realizar projetos. 

Desenvolvimento pessoal: o que é e como criar um plano?

Pensamento Coletivo

As mulheres, em geral, prezam pelo trabalho em equipe e por uma participação ativa de todos. Sua sensibilidade e busca por harmonia faz com que elas estejam sempre abertas para ouvir e promover a participação do time em decisões. 

Nesse sentido, elas ajudam a construir um ambiente organizacional com maior diversidade e igualdade. 

Criatividade

As mulheres são referência em criatividade. Nesse contexto, a própria maternidade contribui para o desenvolvimento dessa habilidade. 

Ao se tornarem mães, elas são levadas a “saírem da caixa” e pensarem de forma mais criativa, além do próprio contato com as crianças, que, por natureza, são curiosas e impõem demandas e cenários que desafiam a normalidade da vida adulta.

Com isso, as mulheres aprimoram a capacidade de propor novos caminhos e visões para solucionar problemas e melhorar processos nas organizações. 

Concluindo, ainda há muito que se conquistar e evoluir quando o assunto é a participação das mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança. 

No entanto, aqui, abordamos alguns avanços importantes que merecem ser destacados e tidos como norte para que a evolução continue acontecendo e transformando positivamente a vida e carreira das mulheres, a sociedade, as empresas e o mercado.

Quer aprofundar ainda mais no assunto? Então é só baixar nosso material gratuito sobre mulheres protagonistas: guia sobre mercado, skills e liderança para acelerar carreiras!

Compartilhe:

Você também vai gostar!

Rolar para cima