10 mitos do empreendedorismo e por que não acreditar neles

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Se você sonha empreender, mas tem medo, certamente, já ouviu alguns dos mitos do empreendedorismo que permeiam as conversas sobre o tema. O que um empreendedor não deve fazer? Só empreende quem tem formação acadêmica para isso? O espírito empreendedor já nasce com a pessoa? É preciso muito dinheiro para começar um negócio?

Essas são apenas algumas dúvidas que assolam a cabeça de alguém que sonha em desenvolver uma ideia. Neste conteúdo, veremos que não passam de crenças limitantes. Conheça 10 mitos do empreendedorismo e saiba por que não devemos acreditar neles para ter sucesso. 

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Mitos do empreendedorismo

Entre os significados da palavra “mito” está a ideia de uma coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real. Na verdade, quando o assunto é empreendedorismo, os mitos se tornam crenças limitantes que paralisam e causam medo do fracasso. 

1. Empreendedores sempre têm grandes ideias, que geralmente surgem do nada

Não, isso é falso. Essa crença é limitante, pois impede que ideias simples saiam do papel. Frequentemente, conhecemos pessoas que não começam seu próprio negócio por não acreditarem no potencial de um projeto. Mas para uma ideia dar certo, ela não precisa ser exclusiva ou inovadora. Portanto, isso não é uma necessidade para ser empreendedor. 

Lembre-se que parte dos novos negócios não demandam grandes inovações ou alta tecnologia. O varejo é um bom exemplo. Assim, para ser um empreendedor de sucesso, é preciso muito mais do que uma boa ideia.

Ainda, usar um conceito já existente para criar a sua empresa não é proibido, nem ilegal, muito menos antiético. Desde que respeitadas as marcas registradas, patentes e a propriedade intelectual de outra pessoa ou negócio. 

Outro mito que precisa ser desconstruído quando o assunto é empreendedorismo: as ideias não vêm do nada, como um insight no meio da noite. Na verdade, elas precisam ser lapidadas com empenho e muito trabalho. Ser criativo é importante, claro. Mas não é uma exigência. 

2. Empreendedores não se estressam com coisas pequenas

Seria o ideal, mas nem sempre é possível. Empreendedores frequentemente gastam tempo com a finalização de projetos, a entrega de demandas, o cumprimento de prazo, controle de pagamentos, entre outras ações. 

Na realidade, empreender costuma trazer certo nível de estresse, pois é comum que o empreendedor se envolva com todas as atividades inerentes da gestão. Porém, empreendedores não são mais estressados do que qualquer outro profissional. 

Portanto, é normal que os sintomas façam parte da rotina de um empreendedor, desde que a doença não afete a produtividade e a saúde. 

3. Se o empreendedor fracassar uma vez, vai fracassar sempre

Essa afirmação é bem comum entre os mitos do empreendedorismo. No entanto, ela cai por terra quando conhecemos a trajetória de grandes empreendedores. Nesse contexto, muitos só conquistaram o sucesso após muitas tentativas e a maioria fracassou em algum momento. 

A derrota é um dos grandes receios de quem decide apostar em um negócio próprio. Mas é importante entender que fracassar é uma consequência possível para quem se arrisca. Assim, com determinação, persistência e planejamento, as adversidades podem ser superadas. 

Além disso, não é porque o negócio falhou da primeira vez que ele não pode ser retomado. Logo, trabalhe sua mente para aceitar o fracasso e, caso aconteça, minimize os danos, aprenda com os erros e não desista. 

4. Empreendedores nunca desistem, nunca perdem o foco e não têm vida social

No mito anterior, aconselhamos a nunca desistir. Essa dica é válida para o todo, para que o empreendedor não desista do sonho. Mas desistir de alguma etapa quando algo não saiu como o planejado pode até ser benéfico para o negócio. Por isso, não persistir no erro pode ser vital para o sucesso. 

Além disso, é falso afirmar que empreendedores não perdem o foco. Na realidade, é comum ocorrerem distrações que atrapalham o desempenho nas tarefas. Por outro lado, especialistas afirmam que pequenas distrações são benéficas, principalmente para ativar a criatividade. 

Ainda, o autoconhecimento é fundamental para identificar a necessidade de uma pausa quando a produtividade estiver baixa. As distrações também incluem reservar tempo para a vida pessoal, pois empreender não significa trabalhar 24 horas, 365 dias por ano. 

Na verdade, é preciso reservar tempo para a família e amigos, para os cuidados com a saúde e para atividades de lazer. Aproveite o fato de ser seu próprio chefe para organizar seu dia. Para tanto, existe uma infinidade de ferramentas que ajudam a manter o foco e otimizam a gestão do tempo

Nesse caso, mantenha um cronograma e faça uma coisa por vez, não seja multitarefas. Defina horários específicos para verificar e responder e-mails, priorize as ações mais importantes, silencie o telefone para se concentrar e diminua o uso das redes sociais. 

Trata-se de ações simples que vão conferir muito mais foco, produtividade e tempo livre para a vida pessoal. O mesmo princípio do social vale para o lazer, uma vez que são fundamentais para relaxar o corpo e a mente, como praticar uma atividade física, ler um livro ou assistir a um filme, além de sair para jantar ou simplesmente se dedicar ao ócio. 

Esses momentos são revigorantes e necessários para manter o bem-estar e a produtividade no trabalho. 

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5. Os empreendedores sempre são jovens

Entre os mitos do empreendedorismo, o tema idade é recorrente, pois muitas pessoas acreditam que somente os jovens se aventuram em começar um negócio próprio. Mas quando se trata de empreender, isso não é uma limitação e não deve ser usado como desculpa. Insatisfação com o trabalho atual, mente aberta e recursos são suficientes para começar. 

Para exemplificar que não se trata de um determinante, a idade média de um empreendedor nos Estados Unidos é de 40 anos. Já no Reino Unido, é 47. Geralmente, a experiência de vida conta muito e é uma vantagem. 

Assim, fatos que corroboram a ideia de idade não são obstáculo. Além disso, a energia necessária para comandar um empreendimento não está relacionada à juventude. Inclusive, especialistas afirmam que a maturidade seria um fator positivo para empreender. 

6. Para empreender é preciso ter muito dinheiro

Ter dinheiro é importante para desenvolver um negócio. Mas apenas os recursos financeiros não são garantia de sucesso, nem de permanência no mercado. Muitas vezes, o aporte inicial de um empreendedor é pequeno e ele precisa buscar fontes de financiamento.

Inclusive, é muito comum que pessoas e comunidades de baixa renda comecem um pequeno negócio apenas com um investimento mínimo. Assim, com o tempo e trabalho consistente, conseguem prosperar, gerando renda de forma sustentável para expandir seu empreendimento. 

Portanto, é mito acreditar que para empreender é preciso muito dinheiro. Na verdade, o dinheiro necessário não é inatingível, nem impedimento para o sonho de empreender. Logo, para começar, tenha um investimento mínimo que inclua o capital de giro para organizar as finanças. 

7. Empreender no Brasil não é vantajoso para ninguém

Você já deve ter escutado que empreender no Brasil é difícil. Ainda, que há inúmeros os entraves que desestimulam e fazem muitas pessoas desistirem do sonho. Nesse sentido, carga tributária elevada, falta de estímulo de crédito e concorrência alta são alguns fatores.

Além disso, o empreendedor brasileiro ainda precisa lidar com a burocracia e limitações para fazer a gestão da empresa. Portanto, o cenário no país apresenta sim algumas dificuldades. 

No entanto, o empreendedorismo no Brasil tem algumas particularidades animadoras, por exemplo:

  • culturalmente, existe grande força de trabalho;
  • o brasileiro deseja gerar empregos e deixar um legado;
  • o mercado nacional é carente e tem tradição;
  • o brasileiro tem alma empreendedora e gosto pelos desafios, é flexível e não tem medo de arriscar;
  • gostamos de ter autonomia para trabalhar.

Por outro lado, apesar da burocracia, nos últimos anos, os governos criaram políticas de incentivo, como a Lei do Microempreendedor Individual, o Simples e, mais recentemente, o programa Startup Brasil.

Essas ações contribuem para incentivar o surgimento de novos empresários, que criarão mais empregos e soluções, aumentando a arrecadação de impostos e conquistando mais auxílio dos poderes públicos.

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8. Empreendedores devem ter curso e formação acadêmica

Esse talvez seja um dos mitos do empreendedorismo mais disseminado. Muitas pessoas acreditam que só pode empreender quem tem formação técnica ou acadêmica para tal. Ainda, que você não precisa estudar negócios para ter uma empresa bem-sucedida.

É claro que a educação formal ajuda, mas não é uma exigência, nem um sinal de sucesso. Tanto é que, nos Estados Unidos, a maioria dos empreendedores não tem um diploma universitário. Os dados são de uma pesquisa da CNBC/SurveyMonkey Small Business.  

Portanto, não ter um diploma não é impedimento para empreender. Por outro lado, ter algum conhecimento sobre gestão é sempre positivo, pois empresas de sucesso não são feitas somente com uma ideia criativa e algum dinheiro para investir. 

Então, se você tiver oportunidade, procure estudar o mercado, ganhar experiência e conquiste conhecimentos sobre finanças para administrar bem o fluxo de caixa, por exemplo. 

Ainda, desenvolva um bom plano de negócios para ajudar nas tarefas principais, elabore uma estratégia de marketing e entenda sobre gestão financeira. Investir em uma capacitação nessas áreas, pode ser útil, principalmente se você é um empreendedor iniciante. 

Além disso, engana-se quem acredita que empreender é uma atividade restrita aos empresários. O empreendedorismo pode aflorar no indivíduo independentemente da posição em que ele atua.

Sendo assim, proprietário ou colaborador, não importa, existem empregados empreendedores e empresários que não sabem empreender. Por isso, é fundamental que as organizações abram espaço para as boas ideias e deem espaço para aqueles profissionais que têm perfil empreendedor. 

Por fim, observe o colaborador com iniciativa, automotivação e habilidade para vender e liderar pessoas, sejam clientes ou a equipe de trabalho. 

9. Empreendedorismo é genético e passa de pai para filho

Outro grande mito. Ninguém nasce empreendedor e essa característica não é um dom concedido como herança familiar. Ainda que uma pessoa tenha uma grande empresa como berço, essa condição não garante sucesso nos negócios. 

Mas o contrário também acontece, ou seja, um empresário bem-sucedido pode despontar em uma família sem qualquer ligação com os negócios. A JSA Advising, por exemplo, que presta consultoria para empresas, divulgou os seguintes dados referentes às organizações familiares por geração nos Estados Unidos:

  • 30% das empresas sobreviveram até a segunda geração;
  • 12% sobreviveram até a terceira geração;
  • apenas 3% das organizações sobreviveram até a quarta geração. 

A questão é saber porque esses empresários fracassaram na condução dos negócios familiares. Em geral, não tinham um plano de sucessão apropriado ou não trabalharam o suficiente para serem bem-sucedidos como seus antecessores. 

Por isso, tenha em mente que empreendedores não são heróis, nem nascem prontos. A maioria das pessoas desenvolve um perfil empreendedor, pois todo ser humano pode aprender e aperfeiçoar competências. 

10. Para ser empreendedor é preciso sempre dizer “sim” para os clientes

No afã de atender a clientela em todas as suas necessidades, muito empreendedor bom perde a credibilidade quando não consegue honrar seus compromissos. Por isso, acreditar que dizer sim para o cliente é uma obrigação é mais um dos mitos do empreendedorismo. 

Entenda que para manter um negócio a longo prazo, nem sempre será possível atender o maior número de pessoas. Lembre-se que entregar um produto ou serviço de qualidade é condição sine quo non de toda empresa. 

Para empreender com cautela, é importante reconhecer as limitações da organização. Se ela consegue produzir apenas 1000 produtos por mês, não deve aceitar um contrato para fabricar 1200 itens. Com certeza, a entrega não será realizada. 

Em um primeiro momento, o empreendedor vai pensar que está perdendo dinheiro, quando, na verdade, ele está preservando sua boa relação com a clientela e a reputação da empresa no mercado. 

Portanto, saiba que dizer sim ao cliente nem sempre é uma boa atitude. Tenham em mente que ele não é seu único “chefe”, pois o empreendedor não é um profissional independente. Na verdade, ele responde a muitas pessoas: investidores, sócios, fornecedores, credores, colaboradores, família, entre outros. 

Como vimos, não são poucos os mitos do empreendedorismo. Mas eles estão aí, sendo propagados como verdades com as quais o empresário precisa lidar, além de toda a pressão dos negócios e adversidades do caminho.

Lembre-se que o empreendedorismo não é genético e uma boa ideia pode surgir até mesmo entre os colaboradores de uma empresa. Ainda, que o RH pode ser estruturado para desenvolver o pensamento arrojado de profissionais que sonham em empreender.

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