Índice de turnover no Brasil: conheça as porcentagens pelos setores

Tempo de leitura: 9 minutos

Rotatividade é um indicador que está diretamente relacionado à eficiência operacional de uma empresa. Quando está muito alto, evidencia problemas que podem ser muito graves e afetam os resultados financeiros do negócio e mesmo de um setor inteiro da economia. O índice de turnover no Brasil varia, de acordo com o setor e tamanho.

O índice de turnover no Brasil apresenta valores maiores que o dobro da média mundial. Neste post, mostraremos o panorama atual, explicaremos os diferentes tipos, seus impactos e abordaremos uma análise setorial do assunto.

Por fim, trataremos a importância de conter o padrão nas empresas e apresentaremos os desafios para a retenção de talentos em nosso país.

Confira!

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

O panorama do turnover no Brasil

Vamos começar falando sobre o cenário do turnover no Brasil, tanto em relação ao restante do mundo quanto internamente, entre as diferentes regiões do país. 

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Robert Half, com mais de 1.700 diretores de RH, o Brasil teve o pior aumento no índice de turnover entre as 13 nacionalidades envolvidas, no período entre 2010 e 2014. Enquanto a média global ficou em 38%, por aqui, os valores foram de 82%. Isso significa que o indicador quase dobrou durante esses anos — um dado muito preocupante.

De lá para cá, muita coisa aconteceu, passamos por uma crise econômica mundial, entramos em recuperação e fomos atingidos por uma nova crise, ainda mais forte, a do coronavírus. Tudo isso afetou bastante a quantidade de vagas abertas e fechadas em todo o mundo, especialmente no Brasil.

Ainda, de acordo com os dados do Novo CAGED, de maio de 2020, a quantidade de admissões caiu 9,6%, enquanto a de demissões cresceu 10,5%, ou seja, além de mais pessoas terem sido desligadas, menos tiveram oportunidade de novos empregos. Confira o detalhamento dos dados por atividade econômica e por região.

Por atividade econômica

Entre todos os grupos de atividades econômicas listados no CAGED, apenas a agropecuária apresentou variação positiva na relação entre a quantidade de admissões e de demissões, como vemos abaixo:

  • agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 0,67%;
  • indústria: -1,7%;
  • construção: -1,01%;
  • comércio: -3,68%;
  • serviços: -1,53%.

Por região

Quando analisamos os dados por região, nenhum deles apresenta saldo positivo entre a quantidade de empregos gerados e perdidos. Os destaques vão para o Acre, Roraima e Mato Grosso do Sul, que foram os únicos estados a apresentarem saldo levemente positivo, e Alagoas, com a perda mais acentuada, que chegou a 7,63%. Veja o consolidado por região:

  • Norte: -1,17%;
  • Nordeste: -2,99%;
  • Sudeste: -2,22%;
  • Sul: -1,4%;
  • Centro-oeste: -0,63%.

Os tipos diferentes de turnover

O turnover pode ser enquadrado em 4 diferentes tipos, de acordo com a forma como acontece a rescisão do contrato de trabalho e a relação do profissional com a empresa, conforme explicaremos agora.

Turnover disfuncional

O turnover disfuncional acontece quando um profissional de alto desempenho solicita seu desligamento. Trata-se do pior cenário para uma empresa, já que demonstra a falha nos esforços de retenção e tende a impactar negativamente o bom andamento do negócio.

Nesses casos, é essencial realizar uma entrevista de desligamento e investigar o que pode ter causado o pedido de demissão. Assim, é possível criar melhores soluções para o engajamento e satisfação profissional dos colaboradores que permanecerem e os que forem contratados para os times.

Turnover funcional

Na ponta oposta, o turnover funcional é o melhor cenário de um desligamento e ocorre quando um colaborador de baixo desempenho solicita a sua saída. Basicamente, são dois pontos positivos que podem ser observados nessa situação:

  • a equipe abre espaço para um profissional mais adequado;
  • a empresa não sofre um impacto financeiro tão significativo no pagamento das obrigações legais referentes à demissão.

É importante ressaltar que se trata de uma excelente oportunidade para oxigenar a equipe e melhorar a eficiência operacional do negócio. Com o auxílio da análise comportamental, a vaga pode ser melhor definida para que o profissional ideal seja encontrado no mercado. O que traz mais qualidade ao time e melhora os resultados da organização como um todo.

Turnover voluntário

O turnover voluntário ocorre quando um colaborador solicita o seu desligamento. Assim como no funcional, as despesas da demissão ficam a cargo do profissional, a diferença é que não necessariamente se trata de uma pessoa com baixo desempenho.

Apesar da vantagem financeira, esse tipo de situação deve ser acompanhada com atenção, já que evidencia o desejo de saída do profissional da empresa. É importante investigar a motivação para avaliar se o caso é isolado ou se existe alguma falha na proposta de valor oferecida pela organização a ser resolvida.

Turnover involuntário

Por fim, no turnover involuntário a iniciativa do desligamento parte da empresa, que deve arcar com os custos rescisórios. Em geral, ele acontece por questões mais estratégicas do negócio e podem ter forte influência da situação econômica da organização.

Trata-se do tipo que mais tem ocorrido durante a pandemia do novo coronavírus, no qual os empresários se veem obrigados a reduzir seus quadros para garantir a sobrevivência do negócio. 

Em outro cenário, uma motivação bastante comum envolve a fusão com outras empresas ou mesmo uma mudança na composição dos times para melhoria na eficiência operacional.

Os setores que sofrem com maior rotatividade no país

Vivemos um momento muito único no mundo todo, mas, historicamente, temos alguns setores da economia que são mais sensíveis a crises e qualquer eventualidade que afete os índices de turnover. Nesse sentido, vamos abordá-los trazendo um comparativo entre as variações pré-pandemia e a situação atual, acompanhe!

Comércio

O comércio é um setor bastante sensível a crises, já que envolve o poder aquisitivo da população. A pandemia atual foi ainda mais impactante, pois muitas empresas não conseguiram se adaptar para formatos menos presenciais de atuação. Mesmo aquelas que migraram para o online, tiveram que reduzir o quadro de colaboradores para manter o negócio funcionando. 

Construção Civil

A construção civil tem uma grande rotatividade por apresentar muitas contratações temporárias, conforme demandas das obras. No entanto, é um setor que costuma abrir mais vagas do que fechar, quando olhamos uma média histórica. 

No cenário atual, as coisas estão bem diferentes. As pessoas estão recorrendo às reservas financeiras para garantir a sobrevivência de seus negócios e suas famílias, com isso, os imóveis deixaram de ocupar um lugar de destaque nos planos de curto e médio prazo. Assim, com a queda na demanda, a abertura de novos postos acaba sendo prejudicada.

TI

O setor de TI apresenta uma alta rotatividade por um motivo diferente da construção civil — a escassez de mão de obra qualificada dá poder de negociação aos profissionais, que migram de empresa conforme sentem essa necessidade. 

Hoje, eles estão ainda mais valorizados, já que todos precisaram migrar às pressas para o digital para garantir a máxima eficiência operacional. As ações eficazes de retenção nunca foram tão importantes quanto nesse momento.

Call Center

O call center é um setor conhecido por ter alta empregabilidade para pessoas sem experiência, mas também por atuar com atividades que a maioria não gosta muito, principalmente na área de cobrança de débitos de clientes. Isso também afeta a rotatividade nas empresas, já que os profissionais saem na primeira oportunidade que encontram fora dali.

Serviços

A rotatividade do setor de serviços segue uma lógica similar ao comércio. Se as pessoas estão com o poder de compra comprometido, demandarão menos serviços e isso impactará na quantidade de colaboradores necessários para manter a empresa funcionando bem, sem prejuízos. 

Nessa crise que vivemos, casa serviço reagiu de uma forma. Alguns, como os de beleza e reparos, foram mais prejudicados, pois demandam atendimento presencial. Já outros conseguiram se adaptar a recursos, como o atendimento virtual e o delivery.

A importância de conter a rotatividade

A saída de um colaborador, mesmo quando é funcional, gera impactos negativos na empresa. Além dos custos com os processos demissionais e admissionais para o preenchimento futuro da vaga, os danos mais graves são causados na eficiência operacional e no clima organizacional. 

Além disso, um lugar onde as pessoas não ficam por muito tempo demonstra que algo não está indo bem, assim, o papel do RH é investigar e reverter o quadro. Quem fica, tem a impressão de que deveria sair e quem está de fora cria barreiras para uma possível contratação.

O turnover baixo é um dos principais indicativos de qualidade avaliados pelos melhores talentos do mercado ao escolher onde trabalhar. Afinal, se os colaboradores não desejam sair da empresa, é sinal que ela entrega valor para suas carreiras.

Os desafios para a retenção de talentos no Brasil

Deixando de lado o cenário atípico que vivenciamos, a retenção de talentos no Brasil apresenta uma série de desafios, principalmente nos setores mencionados anteriormente. O principal deles é o de encontrar as pessoas certas para o preenchimento das vagas.

Para isso, é importante ter descrições de cargos completas e detalhadas, que incluam a análise de perfis comportamentais em sua elaboração, além de processos seletivos mais estratégicos. 

Já em relação aos colaboradores contratados, é preciso oferecer um bom plano de benefícios, uma cultura organizacional forte e uma comunicação aberta e eficaz. Cada integrante de cada time é um ser individual que precisar ter suas necessidades atendidas como tal, sempre em consonância com as diretrizes organizacionais.

Como vimos, os índices de turnover influenciam diretamente a eficiência operacional de uma empresa. Quando estão muito altos, eles interferem na produtividade dos times, afetam o clima e, ainda, afastam os melhores talentos do mercado para o preenchimento de novas vagas. Portanto, não deixe de dar a devida atenção a isso em seu negócio, informe-se e aprimore seus mecanismos de retenção continuamente.

Aproveitando o assunto, que tal aprofundar seus conhecimentos com um conteúdo bem completo? Confira este guia para a retenção de talentos.

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