Gestão do conhecimento nas empresas: o que é e como aplicar?

Tempo de leitura: 13 minutos

A gestão do conhecimento (GC) é a arte de transformar aquilo que poucos sabem em algo que pode ser compartilhado. 

Afinal, as empresas constroem sua “maneira de fazer” a partir das próprias experiências cotidianas. 

Mas de nada adianta ter um vasto repertório se ele não for disseminado para que todos possam usufruir

Nesse sentido, a gestão do conhecimento é uma estratégia benéfica para empresas que desejam evoluir e gerar valor aos seus recursos humanos.

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

Continue a leitura para entender mais sobre o assunto, veja exemplos que deram certo e saiba como a plataforma Sólides pode ajudar.  

O que é gestão do conhecimento nas empresas?

“A gestão do conhecimento é uma disciplina que promove uma abordagem integrada para identificar, capturar, avaliar, recuperar e compartilhar todos os ativos de informações de uma empresa.

Esses ativos podem incluir bancos de dados, documentos, políticas, procedimentos, conhecimento e experiência anteriormente não capturados em trabalhadores individuais”. 

Esse conceito foi desenvolvido na KMWorld, referência norte-americana sobre o assunto. De maneira mais simples, definimos gestão do conhecimento como o compartilhamento de experiências e know-how. 

Assim, o que antes era propriedade apenas de alguns indivíduos passa ter acesso de todos na organização. 

Gerir o conhecimento nas empresas faz com que os colaboradores se mantenham atualizados e interessados nas suas tarefas. 

Desse modo, sentem-se motivados a buscar o desenvolvimento profissional

Além disso, a gestão do conhecimento aplicada como ferramenta permite que todos os integrantes de uma equipe fiquem no mesmo nível de aprendizagem. 

Essa particularidade é benéfica, pois evita que o conhecimento fique concentrado apenas em uma pessoa. 

Quando isso acontece – e todos os processos estão na mão de um único indivíduo -, o andamento dos projetos pode ser prejudicado caso essa pessoa não esteja presente.

Para a gestão de conhecimento, tudo o que é compartilhado se transforma em um ativo da empresa. Fundamental para o desenvolvimento de toda a equipe. 

Qual o objetivo?

A premissa básica da gestão do conhecimento é “aprender com os erros”.

Aplicar a técnica na empresa permite gerenciar as falhas e utilizar os resultados em decisões futuras, sempre considerando o que aprendemos em experiências anteriores. 

O objetivo da GC é identificar quais conhecimentos a equipe domina e, dentre eles, quais foram transformados em processos. 

Também vale descobrir se partiram de uma única ideia que se transformou em prática de gestão. 

Para que é utilizada?

A gestão do conhecimento busca conectar fontes de geração com necessidades de aplicação do conhecimento

De um lado está quem sabe, do outro está quem precisa saber. Para atender esse objetivo, a GC deve cumprir quatro etapas:

  • capturar o conhecimento: as empresas devem criar “depósitos” de informações, seja de documentos, memorandos, relatórios, apresentações, manuais ou artigos. Eles devem ser resgatados facilmente conforme a demanda;
  • facilitar o acesso ao conhecimento: as pessoas devem acessar e transferir conhecimentos com facilidade;
  • aprimorar o ambiente organizacional: criar políticas que incentivem o compartilhamento do conhecimento entre os colaboradores;
  • valorizar o conhecimento disponível: determinadas empresas incluem o capital intelectual em seus balanços. E outras utilizam esse ativo para gerar novas formas de receita, redução de custos e inovação. 

Em última instância, a gestão do conhecimento habilita as empresas para a geração de valor, aumentando sua competitividade no mercado. 

E esse benefício pode ser comprovado em números. A americana Ask Spoke aponta que a GC pode aumentar a produtividade em até 40%. 

Portanto, investir na gestão de conhecimento como estratégia traz muitos benefícios. Acompanhe!

Aprimora a comunicação

O compartilhamento de informações permite descobrir que habilidades e experiências adquiridas na carreira podem se conectar. 

Assim, líderes e liderados alinham suas atuações e a comunicação se torna mais eficiente, diminuindo os ruídos. 

Mantém o conhecimento organizacional

Ao preservar o conhecimento da empresa, a gestão consegue manter colaboradores e gestores unidos, utilizando as informações a favor da organização.

Nesse sentido, dúvidas sobre processos-padrão podem ser compiladas em um manual para acesso rápido, por exemplo. 

Aumenta a produtividade

Por serem compartilhadas, todos acessam livremente as informações. Desse modo, o trabalho das equipes ganha em produtividade. 

Um estudo realizado pela Deloitte European Workforce Survey apontou que, na visão dos colaboradores, empresas que priorizam a gestão do conhecimento são mais competitivas no mercado e geram mais valor aos clientes. 

A pesquisa da Deloitte apresenta, ainda, outros benefícios de utilizar a gestão do conhecimento: 

  • diminui o retrabalho e traz inovação para os negócios graças à colaboração constante;
  • amplia a aprendizagem dos colaboradores;
  • aperfeiçoa a tomada de decisão e facilita o acesso a informações específicas;
  • aumenta a satisfação do cliente, pois reduz informações desencontradas;
  • qualifica os processos com a utilização de dados e a troca de experiências;
  • aumenta o capital intelectual da empresa, devido ao compartilhamento do conhecimento;
  • a aplicação de treinamentos aumenta o engajamento dos colaboradores;
  • quando alinhado a uma política de benefícios e um plano de carreira, promove a atração e retenção de talentos
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Qual a importância da gestão do conhecimento?

Ter consciência dos conhecimentos armazenados ao longo dos anos permite organizar as informações e transformá-las em:

  • ações de melhoria;
  • processos mais dinâmicos;
  • atividades;
  • produtos com maior qualidade;
  • atendimento qualificado.

Portanto, os conhecimentos adquiridos por gestores e colaboradores servem de base para a qualificação da empresa na totalidade. 

Nesse sentido, devemos considerar fatores externos, como a concorrência, tendências de mercado, influências culturais, inovações e transformações tecnológicas. 

Por fim, reunir conhecimentos, condensá-los em aprendizado, compartilhar essas experiências e transformá-las em ações efetivas representa a real importância da GC para as empresas. 

Como funciona na prática?

Antes de implementar a GC é necessário compreender dois conceitos: conhecimento tácito e explícito. 

Uma vez que eles são fundamentais para entender como funciona a espiral do conhecimento, ou seja, como o aprendizado deve circular no ambiente organizacional. 

Conhecimento tácito

Trata-se do saber conquistado pela prática e pela experiência. É um conhecimento inerente ao trabalho, mas não foi registrado em nenhum documento. 

Conhecimento explícito

Está representado pelo saber documentado em normas e manuais. Ainda, é facilmente acessado por qualquer colaborador, pois está disponível em ambientes online ou offline. 

Esses conceitos servem como referência para a aplicação prática da gestão do conhecimento. Tudo começa com a análise de quais conhecimentos tácitos são essenciais para o funcionamento da empresa. 

Esse mapeamento mostra o que é indispensável compartilhar com todos, por isso, deve se tornar um patrimônio da organização. Confira o passo a passo.

Socialização: conversão do conhecimento tácito para tácito

Procure socializar os saberes adquiridos pela experiência. Construa esse projeto de forma colaborativa, reunindo e compartilhando o conhecimento sob a ótica de diferentes colaboradores, de diversos setores. 

Externalização: conversão do conhecimento tácito em explícito

Trata-se de uma grande troca de ideias para ampliar e aperfeiçoar as informações. Para tanto, faça reuniões de brainstorming, mentorias, trabalhos em conjunto, entre outras ações. 

Combinação: conversão do conhecimento explícito em explícito

Registre tudo que os times aprenderam e formalize um documento. Nesse quesito, valem artigos, gráficos, normas e manuais. 

É nessa etapa que a aprendizagem pela experiência se torna um registro efetivo. Combinar os dois tipos de conhecimento oferece possibilidades de novos aprendizados. 

Internalização: conversão do conhecimento explícito para tácito

O último passo é tornar o conhecimento registrado em manuais e documentos algo que faz parte do cotidiano. Nessa etapa, ocorre a internalização do saber. 

Esse fenômeno faz com que o conhecimento explícito volte a ser tácito, pois ele se tornou inerente ao trabalho.

A partir dessas ações, temos o que o universo corporativo chama de Espiral do Conhecimento, representando um ciclo em constante movimentação e aperfeiçoamento. 

A tendência é que os conhecimentos adquiridos tornem-se algo amplo e disseminado entre todos. 

Mas para ter sucesso nessa empreitada, é preciso investir na cultura organizacional, incluindo o estímulo à aprendizagem constante. 

Para tanto, o RH deve pensar em métodos de ensino conforme o perfil das pessoas a serem treinadas, sempre promovendo o desenvolvimento das habilidades individuais em prol do coletivo. 

Lembre-se que o conhecimento pode ser transmitido em pequenas doses, a partir de conversas curtas no início ou fim do expediente. Um exemplo é a técnica conhecida como microlearning ou pílulas do conhecimento

Trata-se de uma prática que melhora o nível de absorção e a aplicação do conhecimento, facilitando a assimilação. 

Exemplos da gestão do conhecimento em grandes empresas

Aprender com ações que deram certo é a melhor maneira de reproduzir bons exemplos. Conheça cases de sucesso em gestão do conhecimento. 

Petrobras

No Brasil, a Petrobras aplica técnicas de lições aprendidas, alinhadas à inteligência organizacional. Na empresa, a GC é um processo voltado à criação de valor para o negócio. 

Os colaboradores recebem incentivo para identificar, criar, preservar, compartilhar e aplicar conhecimentos em processos e projetos. 

Um exemplo é o Programa Mentor Petrobras, criado há duas décadas. Ele propõe que os profissionais mais antigos transmitam conhecimento estruturado aos mais novos. 

Com essa e outras ações, a companhia foi classificada como uma das empresas-referência em Gestão do Conhecimento na Administração Pública Federal

Além da Petrobras, Banco do Brasil, Eletronorte, Eletrosul e Furnas Centrais Elétricas receberam a mesma distinção. 

Banco Mundial

Exemplo de organização sem fins lucrativos, o Banco Mundial implementou a descentralização das operações para fortalecer a gestão do conhecimento. 

Antes, todos os processos passavam por Washington, fato que gerava custos altos e morosidade nas decisões. 

Para resolver o problema, o Banco Mundial apostou na formalização do conhecimento e passou a disponibilizá-lo entre as agências locais. 

Nesse sentido, novas competências surgiram a partir das discussões e opiniões dos envolvidos. 

General Electric

Ao criar o Corporate Executive Council (Conselho Executivo Corporativo), a GE proporcionou um dos maiores exemplos de implantação da GC. 

Com o conselho, os executivos da multinacional compartilham informações e qualificam a tomada de decisão. 

O CEC é formado por líderes da General Electric e promove encontros anuais com dois dias de duração. Durante os fóruns, os participantes transmitem boas práticas e discutem os êxitos da empresa. 

Na ocasião, fracassos e experiências mal-sucedidas também são analisadas pelos executivos da GE. As ações do Conselho Executivo promovem a melhoria contínua da gestão dos negócios. 

Amazon

A empresa aplica a gestão do conhecimento desde sua fundação, na década de 1990. Na Amazon, as informações de cada unidade estão disponíveis a todos os gestores.

Nesse sentido, a multinacional de tecnologia conseguiu utilizar as mesmas fórmulas de sucesso aplicadas em vendas de livros para comercializar uma infinidade de itens. 

O conhecimento compartilhado faz da Amazon uma empresa que aperfeiçoou seu catálogo de produtos, capaz de vender desde utensílios domésticos até equipamentos de ginástica. 

Nações Unidas

A gestão do conhecimento das Nações Unidas é praticada nas missões de paz e de ajuda humanitária. 

Para isso, a ONU implantou sistemas de coleta, análise e disseminação de informações para gerar benefícios em outras iniciativas. 

Construído a partir de experiências anteriores, o foco da GC está na solução dos desafios utilizando o aprendizado organizacional. 

Ele vem das redes de relacionamentos, da gestão de talentos e do engajamento público. 

Qual é o papel do RH?

A gestão do conhecimento faz parte do planejamento estratégico das empresas. E o profissional de Recursos Humanos é o agente responsável por disseminar informações entre os colaboradores. 

Desse modo, o setor acaba consolidando essa cultura na organização. 

Nesse sentido, o papel do RH é administrar a GC como um catalisador do aprendizado. 

E colocar em prática ações capazes de identificar o conhecimento gerado no ambiente de trabalho. Essa experiência, agregada aos padrões de qualidade, eleva o crescimento das empresas. 

Tradicionalmente, os profissionais de RH são aqueles que mais se preocupam com questões referentes ao aprendizado individual e organizacional.

O interesse intrínseco pelas relações humanas comprova isso.

O setor de Recursos Humanos sabe que o sucesso pessoal dos colaboradores se transforma em sucesso empresarial. 

Desse modo, cria-se uma relação de auto-estimulação constante. E nesse cenário está o segredo dos negócios bem sucedidos. 

Confira o e-book completo sobre como desenvolver o Capital Humano nas empresas!

Como a Sólides pode ajudar?

A tecnologia do software de gestão de pessoas da Sólides possibilita a gestão da aprendizagem e a troca de informações. 

Um exemplo é o Profiler. Trata-se de uma ferramenta exclusiva da Sólides para o mapeamento comportamental. 

O Profiler é baseado na metodologia DISC e em outras seis teorias comportamentais.

Com ele, a gestão de pessoas consegue, por meio de um único assessment, identificar mais de 50 informações sobre o perfil comportamental do profissional.

Mas como o Profiler pode ajudar na gestão do conhecimento? 

A resposta é simples: ao mapear as equipes, o RH consegue identificar pontos fortes do profissional e quais habilidades eles precisam desenvolver melhor para alcançar resultados. 

Esse mapeamento vai orientar o setor para encontrar treinamentos e programas de aprendizagem com foco nas reais necessidades. 

Assim, a organização consegue potencializar competências e aumentar a produtividade das equipes. 

Conclusão

Agora que você conhece detalhes e benefícios da gestão de conhecimento, que tal começar a aplicá-la na sua empresa? Não desperdice o conhecimento tácito gerado pelos colaboradores ao longo dos anos!

Converta a aprendizagem em conhecimento explícito e coloque sua organização em outro patamar. Aproveite para baixar nosso e-book e aprender mais sobre gestão de competências e como adotá-la

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