Equilíbrio e prazer na vida profissional

Tempo de leitura: 9 minutos

As gerações que chegaram ultimamente no mercado de trabalho estão, naturalmente, demandando maior prazer, motivação e equilíbrio em suas vidas profissionais. Mas não apenas eles – muitos profissionais de longa carreira estão abandonando seus trabalhos para se dedicar a projetos de vida ou empreender. Mas, será mesmo que é preciso deixar sua ocupação para atingir o equilíbrio e adquirir prazer a partir da atividade que você realiza?

Tudo se resume, praticamente, ao estresse. Estresse por metas, por resultados, por entrega e o pior de todos: a cobrança pelo sucesso. Talvez esse seja o maior motivo de desequilíbrio e descontentamento entre profissionais. A grande maioria supõe que não atingiu o sucesso, e se cobra diariamente em relação a ele. Contudo, antes de seguirmos mais adiante neste texto, gostaria de propor uma simples pergunta: o que é o sucesso para você?

Sua resposta provavelmente será algo óbvio e batido. “Atingir o ápice em minha carreira”, “possuir um salário que me permita conforto”, “chefiar todo meu departamento”. Todas elas, sem dúvida, remetem a alguma situação de sucesso, mas será que essa é mesmo sua resposta?

Não responda ainda. Pense mais um pouco sobre isso. Enquanto pensa, vamos conversar sobre a concepção de sucesso – essa coisa extremamente variável e discutível que ele é.

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Definindo o sucesso para você

Por mais que você tenha centenas de respostas prontas, a grande verdade é que a maioria delas você herdou de alguém. Anseios comuns da época de faculdade, pressão de colegas e familiares, evoluções funcionais ou planos de carreira pré-estabelecidos, o ideal de ficar rico.

O sucesso é algo muito particular. E não, isso não é papo de derrotado. Sem definir o que é o sucesso para você, é muito provável que, mesmo atingindo os pontos da carreira que você considera bem-sucedidos (por apontamento de terceiros), você venha a se sentir profundamente infeliz e nada realizado.

A realização é algo muito estranho. Alguns pescadores, catadores de papel, pequenos comerciantes em cidades longínquas, conseguem realizar-se – pessoalmente e profissionalmente. Um executivo típico falaria em “falta de ambição”. Acusaria de “pequenez” ou falaria de incompetência, indolência, desinteresse e quantos mais “crimes corporativos” você possa imaginar ou conceber.

A questão toda é extremamente discutível. O sucesso é algo que certamente vem após a satisfação de necessidades básicas, em nível fisiológico, como comer e beber, em nível de segurança, como moradia e saúde; em nível psicológico, ganhando respeito de terceiros, afeição de cônjuges, amigos e parentes, desenvolvendo autoestima e confiança.

O sucesso vem depois disso tudo – é uma necessidade de autorrealização. Quem estudou a infame Pirâmide de Maslow saberá do que estou falando. O sucesso tem a ver com a autorrealização – é um bem intangível, não pode ser definido por valores, por status, por objetos, posses ou propriedades. E como algo intangível e inestimável, tem um valor diferente para cada um.

Antes de buscar o equilíbrio em sua vida profissional, é preciso compreender a fundo o que você realmente busca. O que o tornaria realizado? Ainda que símbolos de sucesso possam ser colecionados e almejados, como premiações, por exemplo, o mais comum é que a autorrealização esteja relacionada a uma ideia central bastante simples. “Reconhecimento internacional”, “viver tranquilamente no campo”, “ter filhos e conseguir criá-los”.

Em suma – o sucesso, para a esmagadora maioria, está associado a um estilo de vida ideal, às vezes até mesmo utópico. Contudo, colocamos posses e autoestima em lugar da realização, parados no meio da pirâmide, e ignorando aquilo que realmente poderia nos realizar como profissionais e pessoas. Isso, por si só, não poderia estar mais distante do equilíbrio.

Criando redes de relacionamento

Não estou falando sobre networking necessariamente, de contatos comerciais, de pessoas cujo único interesse é comprar ou vender. Contatos de negócios e comerciais são sempre interessantes, é claro, mas as redes de relacionamento que levam ao prazer e ao equilíbrio dentro da carreira e vida profissional não têm esse caráter somente.

Americanos costumam falar em “redes de suporte”. O significado é quase evidente – pessoas e grupos que ofereçam apoio profissional, emocional e pessoal a você. Claro, os amigos e família o fazem, mas também é importante possuir redes dentro de sua profissão e dentro de sua empresa, constituídas por colegas que possam prestar apoio emocional, como amigos e companheiros, mentores e motivadores, que possam auxiliá-lo a percorrer o caminho rumo ao sucesso que você definiu para si, e a superar os obstáculos.

Há ainda aqueles que oferecem suporte profissional no contexto técnico. Pessoas que compartilham com você habilidades que tornem sua vida profissional mais simples e fácil, e em troca utilizam suas habilidades de modo a criar alternativas mais simples para si.

O convívio é, de forma cientificamente comprovada, um dos fatores que pode gerar maior engajamento e satisfação no ambiente profissional – ou maior estresse e desestabilização. Claro, nem sempre é possível escolher, mas a verdade é que grande parte da rede de relacionamentos que o envolve no contexto do trabalho é responsabilidade sua. Não escolhemos chefes e colegas, mas escolhemos o modo com que os encaramos.

Conveniência também é evolução

As novas gerações estão mostrando algumas peculiaridades às antigas. Décadas atrás, ser movido de cidade, enviado para outros estados e países e coisas do gênero sempre eram vistas, necessariamente, como evoluções dentro de uma carreira.

Isso não mais é uma verdade absoluta. Os novos profissionais valorizam a conveniência. “Que deixem os jovens viajarem e rodarem o mundo, e eu fico em minha casa, com minha família”. Essa nova máxima do executivo moderno tem levado muitos a deixar seus postos em multinacionais e empresas de gabarito em favor de uma vida mais frugal. Entretanto, muitas organizações já estão em linha ou evoluindo em relação à essa tendência – é uma questão de negociar.

Talvez os caprichos da CLT e a miríade de sindicatos brasileiros tenham levado o trabalhador a desistir ou simplesmente nem considerar qualquer possibilidade de negociação. As empresas, ou pelo menos parte delas, estão mais dispostas a ouvir propostas hoje em  dia. Alguns dogmas e tabus parecem estar com os dias contados, e uma atitude agora pode impedir uma outra atitude,  essa mais drástica, anos à frente.

Buscar conveniência é evolução, e também é uma forma inteligente de buscar o perfeito equilíbrio não apenas dentro de uma carreira, mas também entre o trabalho e a vida pessoal.

Claro, há ainda aqueles que preferem ou buscam uma realocação. Novamente, é uma questão de negociação e, se o equilíbrio está em outro lugar, vá em busca dele.

Colaboração

O mercado do século XXI é interessante. Talvez nunca tenhamos vivido uma era na qual haja maior concorrência entre empresas e também profissionais. Contudo, dentro de uma mesma equipe, talvez nosso momento histórico seja inédito nos tempos modernos em termos de colaboração e trabalho conjunto.

O motivo é muito simples e decorre da questão do relacionamento, como vimos antes. As pessoas começam a enxergar metas em comum – e como em um casamento, o quão mais fácil é o trajeto até essa meta quando percorrido em equipe ou por intermédio de parcerias.

O equilíbrio é algo difícil de atingir. Imagine alguém em uma corda bamba. Caminha sobre ela simplesmente é  praticamente impossível. É preciso um bastão, para compensar o peso de seu próprio corpo, e a coisa se torna muito mais fácil quando há quem o observe, motive e até dê dicas ou sugestões. Quem assiste, muitas vezes, vê a queda antes mesmo dela acontecer – e pode certamente avisá-lo, antes que você perca completamente o equilíbrio.

As três verdades do equilíbrio profissional

Tudo isso nos leva a ouvir a palavra de alguns especialistas norte-americanos, como Boris Groysberg e Robin Abrahams, ambos da Harvard Business School. Há três simples verdades por detrás do equilíbrio perfeito entre uma carreira e uma vida profissional e a vida em si:

  1. A vida simplesmente acontece. Mesmo o mais atribulado dos executivos e o mais dedicado dos profissionais pode ver, da noite para o dia, sua vida pessoal e suas prioridades tenderem violentamente para o lado da vida pessoal e familiar, especialmente quando ocorrem fatos da vida: nascimentos, casamentos, mortes.
  2. Há múltiplos caminhos para o sucesso. Há quem planeje sua carreira em detalhes, outros avançam em todas as oportunidades, alguns ouvem o sucesso apregoado no mercado, e outros ainda se submetem àquilo que terceiros esperam dele. O sucesso não é uma estrada, é uma malha rodoviária inteira, e é possível chegar virtualmente a qualquer lugar, não importa qual saída você pegou. O trajeto pode ser mais curto ou mais longo, mas o que importa é o foco no destino final.
  3. Ninguém pode fazer sozinho. Não há quem chegue ao sucesso sozinho. Não há lugar para deuses no caminho que leva à autorrealização. Mesmo famosos “self-made men”, ou empresários e pessoas que chegaram sozinhos ao sucesso, sempre tiveram mentores, conselheiros, cônjuges, amigos e familiares que os apoiaram, deram uma palavra de valor em momentos difíceis. Se você ainda está trilhando sua carreira sem qualquer apoio e busca satisfação e equilíbrio apenas por si só, sem ninguém ao lado, uma dica: primeiro busque um parceiro e depois volte a caminhar.

Motive seus colaboradores do jeito certo


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