Dia da Consciência Negra: 6 palavras para tirar do discurso da empresa

Tempo de leitura: 4 minutos

Se aproximar das pessoas e estabelecer uma comunicação pautada pelo respeito e pela empatia é fundamental para o fortalecimento do employee experience. Momentos como o Dia Internacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, são essenciais para refletir sobre o discurso das empresas promovido desde antes do processo seletivo.

A maneira como a empresa se comunica com o público forma a imagem institucional. Independente do momento em que a interação aconteça, a experiência precisa ser positiva e especial para a audiência. 

Uma abordagem representativa e empática, por exemplo, pode fortalecer o employer branding. A preocupação e o cuidado precisam ser verdadeiros e refletirem uma real preocupação da empresa com o contexto social.

Pensando nisso, considerar a abordagem e o uso de algumas palavras durante todo o processo de interação com o público torna-se essencial. 

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

Neste conteúdo, listamos algumas expressões que trazem uma bagagem social que chamam para a reflexão, principalmente no dia da Consciência Negra. Confira!

1. “Denegrir”

“Denegrir” é uma palavra utilizada como sinônimo para “difamar”, mas a etimologia dela — ou seja, a raiz do significado — é “tornar negro”. O termo, portanto, carrega em si a visão de que dar tons negros para algo é negativo.

Essa expressão pode aparecer em momentos de interação entre colaboradores e gestores, a falar sobre possíveis conflitos, dando sentido de estar “manchando” uma reputação “limpa”.

“Denegrir” pode ser facilmente substituído: difamar, desonrar, caluniar, etc.

2. “Mulato” ou “moreno”

Culturalmente, as pessoas tendem a evitarem o uso da palavra “negro (a)” por acreditarem que isso torna o discurso menos ofensivo. Por desconhecimento, utilizam como sinônimos palavras que têm uma bagagem etimológica mais preocupante.

A expressão “mulato”, por exemplo, refere-se ao filho macho do cruzamento de cavalo com jumenta ou de um jumento com uma égua, na língua espanhola. Essa carga pejorativa é ainda mais agravante em expressões como “mulata tipo exportação”, reafirmando a visão de mercadoria do corpo da mulher negra.

Por sua vez, “moreno” está relacionado a um processo de “clareamento” da população negra. Para evitar a reafirmação do “negro”, as pessoas optam por utilizar sinônimos que amenizem a consciência de negritude da pessoa.  

3. “Fazer às coxas”

A expressão “fazer às coxas” é utilizada para referir a um trabalho mal-feito, ou realizado de forma rápida e sem qualidade. Existem diferentes teorias para sua origem, uma delas remete ao tempo da escravidão.

Segundo essa tese, para fazer telhas das casas, as pessoas negras escravizadas utilizavam suas coxas para dar formato. Como cada pessoa tem um formato corporal diferente, o resultado era diferente, não dando um padrão das telhas.

Os historiadores discordam sobre a origem da expressão, mas a reflexão é válida. 

4. “Inveja branca”

O sentimento de inveja é sempre mal visto, principalmente em um ambiente corporativo. A fim de não incentivar a competição entre as pessoas, muitos tentam amenizar o teor pesado desse sentimento acrescentando um “branca” no final.

Essa expressão acaba, portanto, sendo outra que denota ao negro um comportamento negativo.

5. “A coisa tá preta”

Ainda abordando a concepção de que “negro” refere-se a comportamentos nocivos, a expressão “a coisa tá preta” é utilizada para momentos em que algo não dá certo ou não está agradável.

Mais uma vez, surge uma questão de valores, na qual o “negro” refere-se a algo que precisa ser evitado a qualquer custo.

6. “Serviço de preto”

O aspecto negativo e pesado trazido nessa expressão pode ser mais óbvio para algumas pessoas. “Serviço de preto” é algo associado a coisa ruim, mal feita ou realizada de forma errada. 

Há, portanto, uma associação negativa e racista ao trabalho realizado por uma pessoa negra.

A presença de negros no mercado de trabalho é um reflexo da desigualdade que existe em nosso país. Não se pode negar uma origem baseada na escravidão nas relações comerciais e exploratórias do Brasil. 

A própria abolição da escravatura é recente, sendo possível encontrar um histórico escravocrata em muitas famílias voltando apenas duas gerações. 

O Dia da Consciência Negra é um convite para a reflexão da importância da diversidade nas empresas. A simples escolha de palavra pode carregar um histórico de preconceito que está enraizado em nossa língua, por isso, faz-se necessário um cuidado a fim de não levantar ou reviver chagas sociais.

Você já refletiu sobre esse assunto na sua empresa? Conte para nós a experiência que é realizado no seu ambiente de trabalho para gerar um cenário de igualdade e respeito.


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alessandra Silva
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alessandra Silva

amei a matéria.