Como identificar competências essenciais em profissionais

Tempo de leitura: 15 minutos

Todo mundo hoje em dia fala em competências no meio corporativo, mas a verdade é que poucos sabem exatamente do que se trata. E pior, identificar competências é algo desafiador para muitos.

Grande parte das competências avaliadas em empresas hoje em dia, que não as técnicas ou formacionais, têm a ver com habilidades de lidar com pessoas, atributos de liderança e traços ligados à motivação.

Dividimos este conteúdo em partes. A razão é muito simples: são dezenas de competências ligadas às relações interpessoais. Além disso, podemos também separar essas competências em determinados grupos.

Se você quer entender como identificar competências dos colaboradores, continue a leitura!

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

Estabelecendo foco

Essa competência diz respeito à habilidade de desenvolver e comunicar metas que estejam em linha com a missão e valores da empresa ou negócio. É uma competência própria de pessoas que lideram equipes.

Essa competência pressupõe habilidades de conciliação e negociação: é preciso alinhar as metas do próprio departamento ou área às metas estratégicas de toda a organização.

Além disso, é preciso assegurar que os liderados compreendam o porquê desse foco e que todos se identifiquem com os valores e missão da empresa, abraçando também as metas estipuladas pelo líder.

Foco nesse sentido, vale lembrar, não tem a ver com meditação ou  com a capacidade das pessoas de focarem-se em uma única tarefa, mas sim com a habilidade de conciliar os interesses maiores com aquilo que é possível obter no curto prazo. A possibilidade de focar-se nos resultados que se quer e não na disponibilidade de recursos.

Apoio motivacional

Essa segunda competência tem a ver com o modo com o qual um líder é capaz de ampliar o comprometimento de seus subalternos em relação ao trabalho e a projetos que esteja gerenciando. Pessoas com essa competência bem desenvolvida, geralmente:

  • reconhecem e agradecem pessoas por suas contribuições;
  • identificam problemas de moral e trabalham para revertê-los rapidamente;
  • encontram maneiras criativas de recompensar pessoas;
  • deixam evidente seu próprio comprometimento com as metas;
  • encorajam as pessoas a se sentirem bem com as conquistas e faz o mesmo em relação ao grupo;
  • realiza conversas, apresentações e discursos para reforçar o moral e motivar o grupo.

As pessoas tendem a associar a competência de gerar motivação apenas a líderes ou pessoas mais extrovertidas e comunicativas, mas a verdade é que isso nem sempre se aplica. Motivar uma equipe também tem muito a ver com a identificação dos funcionários com seu chefe. A história de estar no mesmo barco.

Muitos chefes calados e pouco comunicativos são excelentes ao motivar sua equipe, mas fazem uso de estratégias que tenham mais a ver com seu perfil, ao invés de discursos inflamados e palestras sem fim.

A motivação também é conseguida de formas diferentes, a depender do tipo de perfil de cada funcionário com o qual lidamos. Muita gente confunde a capacidade de motivar com carisma. Sim, o carisma beneficia o desenvolvimento dessa competência, mas não é necessariamente o divisor de água para se desenvolvimento.

Promover o trabalho em equipe

Aparentemente, essa é uma competência própria de líderes. Contudo, a verdade é que ela serve bem tanto a pessoas que assumem cargos mais altos como a subalternos. Para membros de uma equipe, promover o trabalho conjunto significa:

  • ouvir sugestões de colegas;
  • oferecer apoio a projetos e ideias de outros;
  • exaltar colegas por suas contribuições;
  • compartilhar experiência e informações;
  • oferece feedback construtivo e útil a colegas;
  • contribuir para o clima organizacional positivo;
  • manifestar honestamente e construtivamente discordâncias;
  • manter abertura.

Contudo, espera-se também de líderes a promoção do trabalho em equipe. A competência se manifesta de forma diferente, mas diz respeito às mesmas habilidades.

Um líder precisa estimular a cooperação com outros grupos e equipes e garantir a participação de todos, além de reconhecer os esforços de trabalho em equipe e fomentar o aprendizado que esse tipo de oportunidade proporciona.

Espera-se tal competência de quase todos que hoje passam por longas entrevistas ou programas de recrutamento. O trabalho em equipe é uma necessidade, não mais um diferencial.

Lidar com mudanças

Ou gerir mudanças, no caso de lideranças. Essa competência mostra o quanto um profissional é capaz de lidar e apoiar inovações e mudanças organizacionais que visem o ganho de eficiência e produtividade.

Colaboradores que possuam tal competência são mais criativos e propensos a desenvolver novos métodos e abordagens, e conseguem se adaptar mais rapidamente a mudanças, aprimorando o modo com que eles mesmos realizam suas tarefas. O perfil comportamental aqui tem um papel importante ao indicar como profissionais aprimoram seus próprios métodos.

Por exemplo, profissionais com perfil mais analítico geralmente o fazem absorvendo mais conhecimento técnico e estudando novas formas de realizar suas incumbências, enquanto que profissionais com perfil mais executor tendem a improvisar maneiras de continuar a atingir suas metas e desenvolver suas tarefas, mesmo cercados de novidades e mudanças.

O gestor ou líder, por outro lado, precisa ter essa competência bem desenvolvida em casos nos quais a organização esteja passando por mudanças.

Esses líderes precisam trabalhar com outras frentes da empresa para produzir inovações, liderar a disseminação de novas políticas e procedimentos, ajudar seus colaboradores a lidar com pontos negativos das mudanças e estabelecer planos e estratégias para lidar com novos objetivos.

Delegar poder

Todo chefe delega, mas apenas líderes possuem competência para delegar poderes. Essa competência exige confiança, comprometimento e relacionamento com funcionários.

Líderes com essa competência bem desenvolvida são capazes de ceder parte de seu poder para que seus seguidores assumam novas responsabilidades e possam tomar decisões também. É a competência que capacita um líder a dar liberdade de ação a outros e cobrar resultados.

Mais do que apenas ordens, poderes delegados trazem responsabilidades e maior latitude de ação. Essa competência também reforça laços de confiança entre lideranças e liderados e criam um horizonte mais produtivo, no qual mais pessoas são capazes de tomar decisões e agir, ao invés de aguardar ordens e determinações apenas.

Chefes com perfil mais centralizador, em geral executores, tendem a ter mais dificuldades em delegar poder, dificilmente deixam que funcionários assumam não apenas responsabilidades e poderes, mas mesmo as mais simples e corriqueiras tarefas.

Desenvolver terceiros

Assim como líderes são capazes de delegar poderes, também são capazes de repassar parte de sua experiência e conhecimento para desenvolver e despertar outras competências em suas equipes.

Essa competência típica de líderes tem a ver com a transparência, com a capacidade de compartilhar informações, conselhos, sugestões e conhecimento para ajudar indivíduos a desenvolver suas próprias capacidades.

É também a capacidade de selecionar para cada um tarefas que permitam não apenas que metas sejam cumpridas, mas que as pessoas realizando essas tarefas possam ganhar com elas em termos de desenvolvimento pessoal.

Lideranças com altos índices dessa competência geralmente são pessoas que leem bulas e manuais em casa e dão instruções a terceiros, antes de permitir que os mesmos usem aparelhos ou tomem remédios. São chefes que não proíbem, mas delimitam o espaço no qual seus colaboradores pode arriscar, tomar decisões e desenvolver.

Gerenciamento de performance

A habilidade de acompanhar, medir e garantir a performance, atuando também para resolver problemas e inconsistências no desempenho, é uma competência fundamental a todos, mas essencial em áreas operacionais e produtivas.

Funcionários com esse conjunto de habilidades são capazes de prever seus próprios limites e de negociar e oferecer a suas lideranças metas e objetivos realistas, que podem de fato cumprir. Eles acompanham e medem seu desempenho e buscam, mesmo sozinhos, soluções para reverter problemas e focos de improdutividade.

Funcionários assim buscam mais feedback. Eles querem ter certeza de que seu desempenho está não apenas atendendo a suas próprias metas, mas também ás metas da empresa e de sua chefia.

Já lideranças usam tal competência de modo a estabelecer metas realistas para seus funcionários. Essa habilidade ainda se manifesta como um constante acompanhamento de resultados ao longo de todo o processo.

Elas querem estar sempre informadas sobre evoluções e conquistas de suas equipes. Do mesmo modo, lidam com problemas de performance durante a sua produção.

Comunicando e reportando

Reportar e comunicar informações relevantes às pessoas certas e do modo correto é uma competência-chave tanto em líderes quanto em colaboradores.

Essa habilidade assegura que lideranças e também outros envolvidos em um processo ou projeto possam ser mantidos informados de maneira mais global, favorecendo o andamento do projeto e permitindo análises e feedbacks a qualquer momento do processo.

O compartilhamento de ideias e o imediatismo de soluções a problemas é mais eficaz, e o uso dos canais de comunicação mais pleno e acertado.

Sob o ponto de vista da contenção de crises e problemas, a comunicação nesse viés reduz o risco de qualquer iniciativa e transforma a própria comunicação em um processo automático e mais eficiente.

Comunicação oral

Sim, essa também é uma competência fundamental, embora muitos confundam a comunicação em seu caráter mais global com a capacidade de comunicar-se de forma oral.

É dispensável dizer que colaboradores com perfis comunicadores dominam técnicas de discurso e a oralidade de maneira mais apurada, mas também há profissionais com outros perfis que têm essa competência bem desenvolvida.

A comunicação oral como habilidade, ao contrário do que pensam, não tem a ver apenas com a coragem de falar em público. Essa competência envolve um bom domínio da gramática e do vocabulário da língua utilizada, uma boa dicção e clareza na hora de passar ideias e se comunicar, uma organização de ideias e uma boa sequência de fatos e conteúdo, além de uma presença geralmente mais poderosa e carismática.

Do ponto de vista postural, essa competência envolve o contato visual constante e a capacidade de atrair a atenção com o posicionamento ou localização.

Alguém que domina plenamente essa competência é capaz de encontrar, muitas vezes naturalmente, o melhor lugar para se posicionar antes mesmo de iniciar um discurso, chamando mais a atenção dos ouvintes.

O bom orador ainda é capaz de distinguir traços de incompreensão, dúvidas e dificuldades em sua audiência, entre outros, e usar essas informações para modificar e evoluir seu discurso, produzindo textos orais ainda mais claros e objetivos.

Comunicação escrita

Enquanto que comunicadores obviamente se destacam na comunicação oral, assim como muitos profissionais com perfil executor, a comunicação escrita geralmente é a competência de comunicação mais desenvolvida em profissionais mais metódicos e estudiosos, com perfis planejadores ou mais analíticos.

Essa competência envolve não apenas um domínio melhor da gramática e das técnicas de redação e escrita, mas também atributos chave de seleção e categorização de informações.

O profissional que domina essa competência é capaz de selecionar vocabulário, estilo de texto e linguagem de modo a produzir textos que sejam voltados a audiências específicas, por exemplo, é capaz de redigir textos completamente diferentes sobre um mesmo tema, separados para públicos distintos.

A organização não é apenas textual. O bom comunicador no sentido escrito organiza tabelas, gráficos e informações de maneira visual e textual de modo que a compreensão seja maximizada pelo receptor da informação.

Sua argumentação, em geral, é bastante rica, o que torna pessoas com tal capacidade muitas vezes prolixas na comunicação oral — embora não seja impossível dominar ambas as competências em alto grau.

Persuasão

Uma competência extremamente desejável em pessoas de vendas, mas também útil em milhares de outras áreas. A comunicação persuasiva é a competência que permite o uso da comunicação oral e escrita de modo a produzir reações que sejam desejáveis no público e na audiência.

Essa competência envolve um poder de observação excelente, que é usado para preparar discursos e textos de modo a tocar a audiência em pontos que o profissional já identificou como facilitadores na absorção da mensagem.

Percepção interpessoal

Essa competência diz respeito à capacidade de perceber, identificar e antecipar preocupações e sentimentos de terceiros, de forma a produzir empatia. Profissionais com essas características muitas vezes se utilizam dessa facilidade de identificação de estados e sentimentos para exercer persuasão sobre outros.

Contudo, uma vez que geralmente antecipam sensações nas pessoas, são capazes de interagir com elas em um nível mais íntimo. Líderes com essa competência são geralmente capazes de produzir equipes mais unidas e lograr mais feedbacks e opiniões de seus seguidores.

Eles conseguem dizer coisas e agir de modo a aliviar problemas e preocupações de funcionários e são grandes mediadores, antevendo conflitos e atuando por antecipação para resolvê-los. Outras pessoas geralmente se sentem confiantes e confortáveis na presença de profissionais que dominem essa competência.

Criar influência

Uma característica e competência muito comum em profissionais com perfis comunicadores ou executores, e bem rara naqueles com perfis analíticos ou planejadores.

Esses profissionais têm enorme capacidade de negociação e geralmente são adequados para ocupar cargos e posições que envolvam decisões difíceis e muita capacidade de diplomacia.

Essa competência envolve um raciocínio constante de prós e contras e indivíduos que a dominam são capazes de produzir argumentos sobre praticamente qualquer coisa de forma automática.

Trabalham arduamente para impressionar e causar reações nas pessoas, e buscam relacionamentos com cuidado, sempre com o objetivo de conseguir informações, suporte e posicionamento político para ampliar seu campo de influência.

Sob o lado negativo, muitas vezes indivíduos que dominam tal competência tendem a ser individualistas e interesseiros, e elevar o sentimento de desconfiança e suspeição em equipes. Líderes que influenciam podem ser positivos, mas pode também criar problemas à medida que transformam influência em manipulação.

Orientação a clientes

Essa competência não envolve apenas uma boa oralidade ou escrita, envolve simpatia e capacidade de lidar com problemas com prontidão. Pessoas com essa competência bem desenvolvida demonstram preocupação em satisfazer as necessidades de clientes internos e externos, resolver problemas rapidamente, ouvir atentamente e atender com excelência.

Embora pareça uma competência desejável apenas para funcionários relacionados ao atendimento, também é positiva e construtiva para vendedores, representantes e mesmo altos executivos que falam ao mercado e para o público.

Construir relacionamentos

Finalmente, dentro da área de comunicação, temos profissionais que se tornam verdadeiros especialistas em construir e desenvolver relacionamentos de longo prazo.

Apesar de se confundir com uma simples competência em relacionamentos interpessoais, esse tipo de habilidade envolve um grande conhecimento e internalização dos valores e objetivos de uma empresa.

É preciso compreender e absorver a cultura organizacional e a partir dela identificar parceiros e interlocutores que possam atender aos interesses de forma mútua.

Esses profissionais geralmente têm grande desenvoltura no trabalho em equipe, mesmo quando esse trabalho envolve grupos externos ou equipes de outros departamentos e áreas.

A construção de relacionamentos é uma competência que também exige grande visão e capacidade de antecipar movimentos e tendências, de pessoas e grupos empresariais, para que necessidades futuras dos envolvidos e relacionados possam ser negociadas e debatidas.

É a ciência da identificação e reconhecimento dos interesses que movem cada um, e do uso deles para selar parcerias e relações que possam solidificar relações ganha-ganha e negócios que possam perdurar.

Profissionais com essa habilidade geralmente têm grande percepção e uma visão de futuro organizada — planejadores, em termos de perfis comportamentais, geralmente são excelentes para construir relacionamentos duradouros quando unem sua capacidade de organização e priorização com alguma competência de comunicação e relacionamento interpessoal.

Agora que você entendeu como identificar competências, aproveite a visita e veja como encontrar as soft skills no momento do processo de recrutamento e seleção!

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