Como identificar competências essenciais em profissionais, segunda parte

Tempo de leitura: 8 minutos

Vimos anteriormente algumas das competências de que tanto falam em recursos humanos sob uma abordagem moderna, e também algumas diretrizes de como identificá-las e trabalhá-las no aspecto de RH. Mas há muitas outras competências, e vamos seguir adiante.

A comunicação é um processo essencial em qualquer organização e, diferentemente do que muitos pensam, reúne competências úteis a qualquer área ou segmento dentro de uma empresa. Contudo, a comunicação não pode ser considerada uma única competência. Ela envolve diferentes habilidades e o domínio de distintas técnicas, que podem ser mais ou menos desenvolvidas em cada um dos profissionais analisados.

Nesta segunda parte, iremos destrinchar algumas das competências mais importantes e relevantes dentro da comunicação para as organizações e também para profissionais. Na área de RH, é essencial que se sabia diferenciar e identificar cada uma dessas competências e sua utilidade na construção de equipes e lideranças fortes.

Comunicando e reportando

Reportar e comunicar informações relevantes às pessoas certas e do modo correto é uma competência-chave tanto em líderes quanto em colaboradores. Essa habilidade assegura que lideranças e também outros envolvidos em um processo ou projeto possam ser mantidos informados de maneira mais global, favorecendo o andamento do projeto e permitindo análises e feedbacks a qualquer momento do processo.

https://drive.google.com/file/d/1N-Hh7HWo8yWcyp0VtLm5Yk1qenYYebi-/view?usp=sharing

O compartilhamento de ideias e o imediatismo de soluções a problemas é mais eficaz, e o uso dos canais de comunicação mais pleno e acertado. Sob o ponto de vista da contenção de crises e problemas, a comunicação nesse viés reduz o risco de qualquer iniciativa e transforma a própria comunicação em um processo automático e mais eficiente.

Comunicação oral

Sim, essa também é uma competência fundamental, embora muitos confundam a comunicação em seu caráter mais global com a capacidade de comunicar-se de forma oral. É dispensável dizer que colaboradores com perfis comunicadores dominam técnicas de discurso e a oralidade de maneira mais apurada, mas também há profissionais com outros perfis que possuem essa competência bem desenvolvida.

A comunicação oral como habilidade, ao contrário do que pensam, não tem a ver apenas com a coragem de falar em público. Essa competência envolve um bom domínio da gramática e do vocabulário da língua utilizada, uma boa dicção e clareza na hora de passar ideias e se comunicar, uma organização de ideias e uma boa sequência de fatos e conteúdo, além de uma presença geralmente mais poderosa e carismática.

Do ponto de vista postural, essa competência envolve o contato visual constante e a capacidade de atrair a atenção com o posicionamento ou localização. Alguém que domina plenamente essa competência é capaz de encontrar, muitas vezes naturalmente, o melhor lugar para se posicionar antes mesmo de iniciar um discurso, chamando mais a atenção dos ouvintes.

O bom orador ainda é capaz de distinguir traços de incompreensão, dúvidas e dificuldades em sua audiência, entre outros, e usar essas informações para modificar e evoluir seu discurso, produzindo textos orais ainda mais claros e objetivos.

Comunicação escrita

Enquanto que comunicadores obviamente se destacam na comunicação oral, assim como muitos profissionais com perfil executor, a comunicação escrita geralmente é a competência de comunicação mais desenvolvida em profissionais mais metódicos e estudiosos, com perfis planejadores ou mais analíticos.

Essa competência envolve não apenas um domínio melhor da gramática e das técnicas de redação e escrita, mas também atributos chave de seleção e categorização de informações. O profissional que domina essa competência é capaz de selecionar vocabulário, estilo de texto e linguagem de modo a produzir textos que sejam voltados a audiências específicas, por exemplo, é capaz de redigir textos completamente diferentes sobre um mesmo tema, separados para públicos distintos.

A organização não é apenas textual. O bom comunicador no sentido escrito organiza tabelas, gráficos e informações de maneira visual e textual de modo que a compreensão seja maximizada pelo receptor da informação.

Sua argumentação, em geral, é bastante rica, o que torna pessoas com tal capacidade muitas vezes prolixas na comunicação oral – embora não seja impossível dominar ambas as competências em alto grau.

Persuasão

Uma competência extremamente desejável em pessoas de vendas, mas também útil em milhares de outras áreas. A comunicação persuasiva é a competência que permite o uso da comunicação oral e escrita de modo a produzir reações que sejam desejáveis no público e na audiência.

Essa competência envolve um poder de observação excelente, que é usado para preparar discursos e textos de modo a tocar a audiência em pontos que o profissional já identificou como facilitadores na absorção da mensagem.

Percepção interpessoal

Essa competência diz respeito à capacidade de perceber, identificar e antecipar preocupações e sentimentos de terceiros, de forma a produzir empatia. Profissionais com essas características muitas vezes se utilizam dessa facilidade de identificação de estados e sentimentos para exercer persuasão sobre outros.

Contudo, uma vez que geralmente antecipam sensações nas pessoas, são capazes de interagir com elas em um nível mais íntimo. Líderes com essa competência são geralmente capazes de produzir equipes mais unidas e lograr mais feedbacks e opiniões de seus seguidores.

Eles conseguem dizer coisas e agir de modo a aliviar problemas e preocupações de funcionários e são grandes mediadores, antevendo conflitos e atuando por antecipação para resolvê-los. Outras pessoas geralmente se sentem confiantes e confortáveis na presença de profissionais que dominem essa competência.

Criar influência

Uma característica e competência muito comum em profissionais com perfis comunicadores ou executores, e bem rara naqueles com perfis analíticos ou planejadores.

Esses profissionais possuem enorme capacidade de negociação e geralmente são adequados para ocupar cargos e posições que envolvam decisões difíceis e muita capacidade de diplomacia. Essa competência envolve um raciocínio constante de prós e contras e indivíduos que a dominam são capazes de produzir argumentos sobre praticamente qualquer coisa de forma automática.

Trabalham arduamente para impressionar e causar reações nas pessoas, e buscam relacionamentos com cuidado, sempre com o objetivo de conseguir informações, suporte e posicionamento político para ampliar seu campo de influência.

Sob o lado negativo, muitas vezes indivíduos que dominam tal competência tendem a ser individualistas e interesseiros, e elevar o sentimento de desconfiança e suspeição em equipes. Líderes que influenciam podem ser positivos, mas pode também criar problemas à medida que transformam influência em manipulação.

Orientação a clientes

Essa competência não envolve apenas uma boa oralidade ou escrita, envolve simpatia e capacidade de lidar com problemas com prontidão. Pessoas com essa competência bem desenvolvida demonstram preocupação em satisfazer as necessidades de clientes internos e externos, resolver problemas rapidamente, ouvir atentamente e atender com excelência.

Embora pareça uma competência desejável apenas para funcionários relacionados ao atendimento, também é positiva e construtiva para vendedores, representantes e mesmo altos executivos que falam ao mercado e para o público.

Construir relacionamentos

Finalmente, dentro da área de comunicação, temos profissionais que se tornam verdadeiros especialistas em construir e desenvolver relacionamentos de longo prazo. Apesar de se confundir com uma simples competência em relacionamentos interpessoais, esse tipo de habilidade envolve um grande conhecimento e internalização dos valores e objetivos de uma empresa. É preciso compreender e absorver a cultura organizacional e a partir dela identificar parceiros e interlocutores que possam atender aos interesses de forma mútua.

Esses profissionais geralmente possuem grande desenvoltura no trabalho em equipe, mesmo quando esse trabalho envolve grupos externos ou equipes de outros departamentos e áreas.

A construção de relacionamentos é uma competência que também exige grande visão e capacidade de antecipar movimentos e tendências, de pessoas e grupos empresariais, para que necessidades futuras dos envolvidos e relacionados possam ser negociadas e debatidas.

É a ciência da identificação e reconhecimento dos interesses que movem cada um, e do uso deles para selar parcerias e relações que possam solidificar relações ganha-ganha e negócios que possam perdurar.

Profissionais com essa habilidade geralmente possuem grande percepção e uma visão de futuro organizada – planejadores, em termos de perfis comportamentais, geralmente são excelentes para construir relacionamentos duradouros quando unem sua capacidade de organização e priorização com alguma competência de comunicação e relacionamento interpessoal.


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